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4166823 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Salvador
Orgão: Col.Mil. Salvador
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TEXTO 7 (refere-se à questão)

 

Casa de Vô

 

Todo avô toma remédio, usa dentadura e tira soneca depois do almoço. O meu, não. Não toma pílula nem xarope. E, à tarde, fica acordado, brincando comigo. Dentadura? Isso ele usa. Mas, de resto, é diferente.

 

Minha avó também não é igual às outras. Enquanto toda avó borda e faz bolo de chocolate, ela só costura para fazer remendos nas roupas e só cozinha no fim de semana. E quase nunca está em casa. De calça comprida (enquanto todas as avós do mundo usam saia), sai cedinho para trabalhar e nos deixa sozinhos.

 

Daí, o guarda-roupa dela vira elevador. Basta eu entrar e me sentar nas caixas de sapatos para vovô encostar as portas e, como ascensorista, anunciar:

 

- Primeiro andar! Roupas e bonecas. Segundo andar! Balas de goma, móveis e crianças perdidas…

 

A parede da sala é transformada em galeria de arte com pinturas emolduradas em fita crepe e, o tapete, em tablado de exposição de botões raros, que jamais combinariam com qualquer roupa normal.

 

Ao cair da tarde, na garagem vazia, enquanto o papagaio e os cachorros conversam misturando latidos, uivos e risadas, ele espalha alguns pedacinhos de papel pelo chão. É a brincadeira do Pisei.

 

- Hã? Como assim? Pergunto. Essa é nova.

 

Vovô explica sua invenção:

 

- Memorize onde estão os papéis. Feche os olhos e comece a caminhar. Tente pisar em cima deles. Pode ir perguntando "Pisei?" para facilitar. Ganha o jogo quem pisar em mais pedaços.

 

Eu começo.

 

- Pisei? Pergunto, dando o primeiro passo, apertando os olhos.

 

- Não!

 

- Pisei? Insisto mais uma vez, depois de caminhar um tiquinho.

 

- Não!

 

Ouço um barulho de chaves. Vovó chega, cansada, do trabalho. Diz "Oi". Sei que é para mim, mas não posso abrir os olhos para responder. É quebra de regra.

 

- Tudo bem, vó? Quer brincar de Pisei? Convido-a.

 

- Agora, não, minha riqueza. Vovó vai descansar.

 

Vovô continua a me guiar, já sentado na cadeira de praia, lendo o jornal. Não vi, mas escutei o barulho dela sendo armada e das folhas nas mãos dele.

 

Sigo.

 

- Pisei?

 

- Pisei?

 

- Pisei?

 

E nada.

 

Sinto meus pés tropeçarem em algo. Abro os olhos. Vovô, a minha frente, de braços abertos, pronto para um abraço de vitória.

 

- Mas eu não pisei em nenhum papelzinho, vô, digo, meio desanimada, mas já engalfinhada e feliz, nos braços dele.

 

- O vento foi levando tudo para o cantinho do portão, ele explica, sorrindo.

 

- E por que o senhor não me avisou? A gente poderia ter colado os pedacinhos no chão e recomeçado…

 

- Porque eu queria que a brincadeira terminasse com você perto de mim.

 

VICHESSI, Beatriz. https://novaescola.org.br/conteudo/3163/casa-de-vo. Acesso em 14 de agosto 2025. Adaptado.

 

A partir da leitura do texto 07, Casa de Vô, do trecho “Daí, o guarda-roupa dela vira elevador. Basta eu entrar e me sentar nas caixas de sapatos para vovô encostar as portas e, como ascensorista, anunciar”, é possível inferir que a palavra sublinhada significa o profissional que:

 

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