I. Abordando a erosão do Serviço Social tradicional na América Latina, o Profº Netto afirma que esse foi um processo muito particular, endógeno, regionalizado e desconectado das contradições do capitalismo mundializado. Segundo ele, a década de 1960 neste continente foi esvaziada do ponto de vista cultural.
II. Segundo o Profº Netto, a autocracia burguesa favoreceu o processo de erosão do Serviço Social tradicional no Brasil, cumprindo uma “função precipitadora” de questionamentos sobre o tradicionalismo profissional (as abordagens de caso e grupo) que já se encontravam em amadurecimento.
III. Segundo o Prof. Netto, o conjunto dos renovadores do Serviço Social constituía-se de um bloco homogêneo, articulando a renovação com uma direção unitária, tendo em comum propostas teóricas e metodológicas inteiramente confluentes.
IV. A abordagem do Prof. Netto sobre a vertente da intenção de ruptura permite inferir que o termo “intenção” foi por ele utilizado porque essa vertente profissional, na verdade, não rompeu de fato com o tradicionalismo. Antes, restaurou valores centrais para a sociabilidade burguesa como família, ordem, hierarquia e propriedade privada. Sendo assim, não passou de intenção porque apenas o fundamento teórico foi deslocado, permanecendo os valores burgueses no centro da perspectiva profissional.
V. Os profissionais que abraçaram a vertente da intenção de ruptura tiveram um importante desafio a enfrentar: formular uma perspectiva teórica e metodológica nova para o Serviço Social, algo difícil em razão da carência de tradição intelectual no Serviço Social brasileiro desde a sua institucionalização.