Justo você, que nunca viu o mar, vai morrer em mar seco. Tinha vontade de ver o mar, saber como é o gosto da água salgada, o jeito das ondas, os bichos que vivem dentro, comer os peixes de lá. Será? As imagens se embaralham: vê a soja rainha, as mãos que prestam socorros inúteis, as paredes metálicas do silo, os fios que sustentam as horas, a sorte. A má sorte. Afundar acontece, mas por que você? Por um momento, pensa em rezar, não consegue, atordoado pela agitação dos que tentam salvá-lo. Você não faz nada além de suster com dificuldade o calcanhar direito no calombo da solda. Se o pé escorregar, é certo que afunde.
O texto do romance “Erva brava” evidencia a precarização que marca as relações de trabalho contemporâneas. Em um dos contos do livro, denominado Má Sorte, a autora dedica-se a expor algumas das adversidades do trabalho sob o contexto de modernização produtiva do campo brasileiro, sobretudo no que diz respeito à fragilidade da segurança do trabalho. Nesse caso, a autora do texto lança luz sobre o