Culpa: não sinta muito
Por Martha Medeiros
- A culpa não desgruda. Terminou com alguém que ainda o amava? Culpa. Foi indiferente
- à dor do outro (ou, pior, indiferente às suas conquistas)? Que feio. Não estava ao lado dos seus
- pais em seus momentos finais? Perdeu a conexão com os filhos? Acontece, mas o remorso não
- quer saber de explicação.
- Sejam físicas ou espirituais, nossas ausências, mesmo involuntárias, nos corroem vida
- afora. E nem falei das culpas que nos autoinfligimos por termos cedido __ covardia, ao invés
- de tomar a decisão que mudaria nossa história.
- É mais fácil ser inimigo de si mesmo do que chutar o balde e magoar dois ou três, se bem
- que a culpa não escolhe lado neste caso. É o clássico “se correr o bicho pega, se ficar o bicho
- come”.
- Uns 15 anos atrá...., li um pequeno e ótimo livro sobre o assunto, chamado O sentimento
- de culpa, de Paulo Sergio Guedes e Julio Walz (edição dos autores). Eles me fizeram entender
- a onipotência que sustenta essa relação credor/devedor, e que a verdadeira libertação está em
- se responsabilizar pelos seus atos, sem martirizar-se.
- Sentir-se culpado é um desperdício de energia que é recompensado, incon....ientemente,
- pela importância que estamos nos dando. Ainda assim, de vez em quando, me pego
- alimentando esse monstro chamado culpa, que ataca principalmente as relações familiares,
- onde estão aqueles de quem mais cobramos e a quem mais devemos.
- São muitas promessas feitas em nome de um afeto obrigatório e pretensamente
- indestrutível. Maridos e mulheres são induzidos a manter a eternidade de um laço que, com o
- passar dos anos, pode afrouxar, sem que tenha havido má-fé de nenhuma das partes – por
- que se culpar?
- Pais e filhos têm seus direitos e deveres atravessados pelo que nunca pode ser previsto:
- os desvios naturais de rota e o livre arbítrio de cada um, que muitas vezes destoa do que se
- espera. A culpa nem sempre nasce de uma ação incorreta ou maldosa: ela quase sempre nos
- invade por não termos conseguido realizar o que o outro espera de nós.
- Por isso, mais uma vez, a amizade se destaca em sua nobreza. Ninguém culpa um amigo
- que foi morar em outro país ou que fica muito tempo sem dar notícias: não há abandono nem
- e....pectativas a atender; é um gostar-se sem exclusividade nem contrato. Se acaso as
- afinidades se desfizerem, nem assim colocaremos o dedo na cara do amigo: aceita-se em paz
- os humores do destino. Amigos não embaçam: desatam nós com habilidade e dormem bem
- ___ noite. Raramente dão motivos para a insônia alheia. Já as culpas geradas pelo parentesco
- tornam-se existenciais e crescem como tumores.
- Por dar a esse monstro insaciável o nome de amor, não temos coragem de fazer o que
- se deve: deixar ___ culpa morrer de fome.
(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/donna/colunistas/martha-medeiros/noticia/2026/05/culpa-nao- sinta-muito-cmokq8t0o01do0123loqadbtf.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a alternativa que apresenta uma palavra que NÃO tenha sido formada com o prefixo “in-” de sentido negativo.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Agente Administrativo
50 Questões
Agente Comunitário de Saúde
50 Questões
Agente de Combate às Endemias
50 Questões
Almoxarife
50 Questões
Atendente de Creche
50 Questões
Atendente de Farmácia
50 Questões
Auxiliar de Biblioteca
50 Questões
Auxiliar de Saúde Bucal
50 Questões
Educador Social
50 Questões
Eletricista
50 Questões
Fiscal
50 Questões
Fiscal Sanitário
50 Questões
Recepcionista
50 Questões
Secretário Escolar
50 Questões
Técnico Agrícola
50 Questões
Técnico de Contabilidade
50 Questões
Técnico de Enfermagem
50 Questões
Técnico de Informática
50 Questões
Tesoureiro
50 Questões
Topógrafo
50 Questões