Para responder às questões 01 a 07, leia o texto abaixo.
Onde foi parar o tempo?
1 ___O tempo parece estar passando mais rápido a
2 cada ano. Não sei se é só impressão minha, mas
3 ultimamente o Natal chega quase junto com o Carnaval,
4 que logo dá lugar ao Dia das Mães e, num piscar de
5 olhos, já estamos comprando panetone novamente. O
6 Halloween mal se estabelece e, no fim, o verdadeiro
7 susto é reparar que já estamos rodeados de enfeites
8 natalinos outra vez. E a Páscoa? Antes mesmo do ano
9 engatar, os ovos de chocolate já tomam conta das
10 prateleiras. Mas já?! Quando, como e por que o tempo
11 passou tão rápido sem que nos déssemos conta?
12 ___Sorte das crianças, que parecem imunes a essa
13 aceleração. Dia desses, ouvi um garoto reclamando da
14 pouca duração das férias escolares: dois meses para
15 descansar contra um ano inteiro de aulas. Aos olhos
16 dele, deveria haver mais equilíbrio - e talvez ele tenha
17 razão... Quem pode culpá-lo? Para as crianças, o tempo
18 parece se estender e por vezes parece se arrastar como
19 alguém preso no trânsito de sexta-feira à tarde; lá para
20 nós, adultos, ele se resume a semanas que deslizam
21 sem que percebamos.
22 ___A ciência tem uma explicação lógica para isso, o
23 que evita pensarmos que estamos delirando (pelo
24 menos não completamente). O cérebro humano se
25 acostuma com a rotina e, à medida que repetimos
26 atividades, a percepção do tempo em si é encurtada.
27 Fazemos as mesmas coisas, tomamos os mesmos
28 caminhos, não desafiamos o cérebro para o novo. Em
29 contrapartida, quando somos pequenos, cada
30 experiência e inédita, e essa novidade expande nossa
31 sensação de duração dos dias. Estamos o tempo todo
32 aprendendo. Na vida adulta, a previsibilidade do
33 cotidiano faz com que os anos passem sem que nos
34 detenhamos nos detalhes. Um efeito colateral da
35 modernidade ou uma pegadinha do universo? Difícil
36 dizer.
37 ___Talvez seja esse o grande desafio: encontrar
38 maneiras de escapar da monotonia e perceber o tempo
39 com mais atenção. Tentar enganar o tempo da mesma
40 forma como ele nos engana. Como para tudo, há
4l sempre uma perspectiva diferente a qual podemos nos
42 debruçar se deixarmos de viver apenas sob o domínio
43 de Chronos - o tempo dos prazos e compromissos
44 podemos abrir espaço para Kairós, o tempo que se
45 mede pela qualidade, não pela quantidade. E talvez se,a
46 nesse instante, entre um respiro e outro, que o tempo
47 desacelere- ou, quem sabe, finalmente passe no ritmo
48 certo. Nem que seja só para nos contrariar.
Autor: Pedro Guerra - GZH (adaplado)
Ao final do texto, o autor menciona os conceitos de Chronos e Kairós como formas distintas de vivenciar o tempo. Com base nesse recurso e no desenvolvimento argumentativo do texto, é possível afirmar que:
I O autor propõe substituir totalmente a lógica de Chronos pela vivência de Kairós, como forma de negação da realidade moderna.
Il. A menção a Chronos e Kairós serve como metáfora religiosa, sugerindo que apenas a fé é capaz de transformar a experiência do tempo.
III. A oposição entre Chronos e Kairós ilustra a dualidade entre o tempo cronológico e o tempo qualitativo, valorizando uma vivência mais consciente e sensível do presente.
IV. A referência a Chronos e Kairós contradiz os argumentos anteriores e reforça que não há formas eficazes de lidar com a aceleração do tempo.
Das assertivas, pode-se afirmar que: