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3759951 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: Legalle
Orgão: Pref. São José Inhacorá-RS
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Para responder às questões 01 a 08, leia o texto abaixo.

Chover no molhado

1 No instante em que escrevo esta crônica, volta a

2 chover. Estou no décimo andar de um prédio em Porto

3 Alegre, em um bairro afastado do lago Guaíba, que a

4 gente chama de rio, e me sinto protegida, parece que

5 nada poderá atingir minha família, a não ser o

6 desabastecimento de água e luz, que não se compara

7 ao que tantas outras famílias perderam. Ainda assim,

8 a segurança é tênue, a consciência dessa tragédia nos

9 encharca também, nós que assistimos o drama pela

10 tevê e redes sociais. A nós, cabe esta lavagem a seco.

11 Parece tão insano. Trata-se de água, nosso bem

12 mais necessário, fecundo, valioso, água que é

13 sinônimo de vida. E, no entanto, ela se avoluma e

14 invade ruas, entra pelas frestas das portas e janelas,

15 se instala sobre o tapete da sala, encobre camas de

16 casal, se esconde dentro dos armários, invade lojas e

17 campos de futebol, atinge os telhados, arranca árvores

18 do lugar, não tem piedade dos hospitais nem das

19 livrarias, arrasta com ela os planos dos recém-

20 casados, os berços de quem acabou de nascer, cães

21 e gatos que não sabem para onde fugir. Devasta o

22 passado, que foi nosso tempo de construção, e dá um

23 caldo no futuro, que seria o tempo do usufruto.

24 Caudalosa, nos induz a vencer a incredulidade e a

25 desesperança, mas é um duelo injusto: por mais fortes

26 e unidos que estejamos, no fundo da alma sabemos

27 que não é um caso isolado, já aconteceu antes,

28 acontecerá de novo.

29 A chuva não decide matar. Não resolve cair por

30 quatro dias inteiros sobre a mesma cidade, não

31 escolhe aquela encosta para desmoronar, aquela

32 ponte para destruir. A chuva não pensa. Pensar é

33 tarefa nossa.

34 A novidade dos desastres climáticos está em sua

35 recorrência. Trocou-se o "de 10 em 10 anos" para o "a

36 cada três meses". Setembro, depois novembro, agora

37 em maio. Essa foi a sequência recente de alagamentos

38 no Rio Grande do Sul. Cada Estado tem seu próprio

39 calendário de calamidades previstas pela

40 meteorologia, hoje monitorada com mais precisão, só

41 que precisão não evita o dano. O que evita é

42 prevenção, realizada pelo governo, em escala ampla,

43 e por cada cidadão, em atitude individual. Menos

44 plástico, menos lixo nos mares, menos árvores

45 cortadas, menos carros nas ruas: o manual de boas

46 maneiras já é conhecido por todos, mas enquanto a

47 ordem não vem de cima, continua tudo igual.

48 Negacionismo e acomodação só nos atrasam. A

49 natureza está reagindo à nossa insensatez, não há

50 mais tempo a perder. Cobremos medidas de quem tem

51 a caneta na mão, a verba no cofre e o nosso voto. E

52 façamos a parte que nos toca, mesmo que a ordem

53 esteja demorando para vir de quem está

54 hierarquicamente acima de nós, os donos do poder

55 público. A ordem, na verdade, está vindo de alturas

56 bem maiores. Vejo nuvens carregadas no horizonte.

Autora: Martha Medeiros (GZH).

Na frase a segurança é tênue (1.8), o termo sublinhado cumpre a função sintática de:

 

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