Envelhecimento populacional requer mais atenção dos planos de saúde
Número de idosos em planos de saúde dobrou nos últimos 20 anos.
Envelhecimento da população e pandemia estão entre os principais fatores.
Por Rafael Machado - 10 de agosto de 2022
O envelhecimento populacional – e seu respectivo potencial de mercado – tem atraído a atenção de diversas empresas no mundo, de gigantes a startups, como Futuro da Saúde já explorou em reportagem recente. Essa tendência, aliada à queda de natalidade desde 2017, deve fazer do Brasil o quinto país com a maior população de idosos do mundo em 2030, o que evidencia o desafio de um olhar para o envelhecimento tanto pelo sistema público quanto pela saúde suplementar.
Por ser uma parcela da população que, de modo geral, utiliza mais os planos, há uma demanda para que as operadoras acompanhem essa mudança, colaborando com a promoção de saúde e consequente redução de custos com tratamentos de doenças graves e complicações. Alguns dados já corroboram essa análise: o número de pessoas idosas em planos de saúde dobrou nos últimos 20 anos e hoje já soma 7 milhões de beneficiários, de acordo com levantamento feito pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS). Esse grupo representa cerca de 14% do total da população que conta com algum tipo de convênio médico.
“Durante um bom tempo o envelhecimento foi visto pelo setor como um problema: as pessoas envelhecem, têm mais doenças e isso encarece a saúde suplementar. E tudo que a gente sempre quis mostrar é que é uma grande conquista. O problema não é o envelhecer, é envelhecer sem qualidade e cuidado, e que você acaba trazendo outros tipos de necessidade para o setor”, analisa Martha Oliveira, CEO da Laços Saúde e ex-diretora da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Os planos já vêm trabalhando algumas iniciativas para que os beneficiários possam ter um envelhecimento mais saudável e com um maior controle das doenças crônicas que possam surgir com o passar dos anos. “A ideia foi mudando. As operadoras foram entendendo que a prevenção faz parte do escopo delas. Ainda não de uma forma populacional, mas para grupos de risco sim. Agora a ideia do envelhecimento saudável e a redução do risco de doenças está acontecendo muito mais do que antes”, explica Martha.
Para que os planos estejam ainda mais preparados para enfrentar esse cenário, a ex-diretora da ANS sugere que é necessário trabalhar em alguns pontos principais, como vínculo entre profissionais de saúde e pacientes, autonomia do beneficiário e coordenação do cuidado – este último feito por um profissional único, como um médico da família, geriatra ou enfermeiro, que acompanha os diferentes tratamentos e orienta sobre possíveis interações medicamentosas, evitando a polifarmácia, bem como direciona para especialistas quando necessário.
Martha defende ainda que, apesar da mudança de postura dos planos de saúde, é preciso que haja uma reestruturação do sistema como um todo, tanto na saúde pública, quanto na saúde suplementar: “A forma como está organizado o hospital, a clínica e os laboratórios, assim como a formação dos médicos e enfermeiros, é igual lá atrás, no passado. Precisamos entender quais as limitações e os benefícios desse envelhecimento.”.
https://futurodasaude.com.br/envelhecimento-planos-de-saude/ Acessado em 15-8-2022
Assinale a alternativa que substitua, correta e respectivamente, a flexão verbal “corroboram” (no segundo parágrafo) e a palavra “escopo” (no quarto parágrafo), sem que ocorra alteração semântica no contexto de cada frase em que estão empregadas.