Magna Concursos
3525041 Ano: 2008
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Os médicos que, em Java, têm outra denominação, como veremos mais tarde, são os mais constantes fregueses da academia. Estão sempre a bater-lhe na porta, apesar de não ter a medicina nada que ver com a literatura.

Pertencendo à academia de letras — é o que imagino — como que eles ganham maior confiança dos clientes e mais segurança no emprego dos remédios. Assim, talvez, pensem eles e também o povo, tanto que a clínica lhes aumenta logo que entram para a ilustre companhia javanesaC.

É bem possível que as suas letras e a sua fascinação pela academia visem somente tal resultado, porquanto, entre eles, a rivalidade na clínica é terrível e mais ainda quando se trata de competir com colegas estrangeiros. Usam contra estes das mais desleais armas.

Um houve, natural de um pequeno país da Europa e de extração campônia, que só as pôde manter a distância, usando de armas e processos grosseiramente saloios. Estava sempre de varapau em punho e foi o meio mais eficaz que encontrou, para não lhe caluniarem e lhe prejudicarem a clínica.

A literatura desses doutores e cirurgiões é das mais estimadas naquelas terras; e isto, por dois motivos: porque é feita por doutores e porque ninguém a lê e entende.

Lima Barreto. Os melhores contos de Lima Barreto. São Paulo: Global, 2001, p. 105.

Com relação ao trecho do conto de Lima Barreto apresentado, e ao conjunto de sua obra, assim como à língua portuguesa, julgue os itens a seguir.

Segundo o narrador do conto, a literatura é, para os médicos de Java, antes de tudo, uma forma de alcançar prestígio social e profissional, além de garantir retorno financeiro àqueles “que entram para a ilustre companhia javanesa” (l.9).

 

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