Magna Concursos
4166953 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: INEPAM
Orgão: CREA-MT
Provas:

Considere o texto a seguir para responder a questão

AS PARADAS

O Norberto, que a princípio aceitou com entusiasmo as paradas dos bondes de Botafogo, é hoje o maior inimigo delas. Querem saber por quê? Eu lhes conto:

 

O pobre rapaz encontrou uma noite, na Exposição, a mulher mais bela e mais fascinante que os seus olhos ainda viram, e essa mulher - oh, felicidade!... oh, ventura!... -, essa mulher sorriu-lhe meigamente e com um doce olhar convidou-o a acompanhá-la.

 

O Norberto não esperou repetição do convite: acompanhou-a.

 

Ela desceu a Avenida dos Pavilhões, encaminhou-se para o portão, e saiu como quem ia tomar o bonde; ele seguiu-a, mas estava tanto povo a sair, que a perdeu de vista.

 

Desesperado, correu para os bondes, que uns seis ou sete havia prontos a partir, e subiu a todos os estribos, procurando em vão com os olhos esbugalhados a formosa desconhecida.

 

- Provavelmente foi de carro, pensou o Norberto, que logo se pôs a caminho de casa.

 

Deitou-se mas não pôde conciliar o sono: a imagem daquela mulher não lhe saía da mente. Rompia a aurora quando conseguiu adormecer para sonhar com ela, e no dia seguinte não se passou um minuto sem que pensasse naquele feliz encontro.

 

Daí por diante foi um martírio. O desditoso namorado começou a emagrecer, muito admirado de que lhe causassem tais efeitos um simples olhar e um simples sorriso.

 

Passaram-se alguns dias e cada vez mais crescia aquele amor singular, quando uma tarde oh, que ventura!... oh, que felicidade!... -, uma tarde passeando no Catete, o Norberto vê num bonde das Laranjeiras, a dama da Exposição. Ela não o viu.

 

O pobre-diabo fez sinal ao condutor para parar, mas por fatalidade o poste da parada estava muito longe e o bonde não parou. E não haver ali à mão um tílburi, uma caleça, um automóvel!

 

O Norberto deitou a correr atrás do bonde, mas só conseguiu esfalfar-se. Que pernas humanas haverá tão rápidas como a eletricidade?

 

Esse novo encontro acendeu mais viva chama no peito do Norberto, e não tiveram conta os passeios que ele deu do Largo do Machado às Águas Férreas, na esperança de ver a sua amada e falar-lhe.

 

Oito dias depois, o Norberto percorria de bonde, pela centésima vez, as Laranjeiras, quando, nas alturas do Instituto Pasteur, viu passar - oh, felicidade!... oh, ventura!... -, viu passar na rua a mulher que tanto o sobressaltava.

 

- Pare! pare!... gritou ele ao condutor.

 

- Aqui não posso; vamos ao poste de parada!

 

O Norberto quis descer, mas a rapidez com que o bonde rodava era tamanha, que não se atreveu.

 

Chegando ao poste de parada, ele atirou-se à rua, e deitou a correr para o lugar onde vira a mulher, mas, onde estava ela? Tinha desaparecido!

 

Aí está por que o Norberto é hoje o maior inimigo das paradas.

 

(AZEVEDO, Artur. As paradas. Disponível em: https://dominiopublico.mec.gov.br/pesquisa/

DetalheObra Form.do?select_action=&co_obra=7446. Acesso em 28 out. 2025)

 

"- PARE! pare !... gritou ele ao condutor." O verbo em destaque está conjugado no modo imperativo afirmativo e se dirige à:

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

Analista Jurídico

50 Questões