Magna Concursos
2841936 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: LJ Assessoria
Orgão: Pref. Buriticupu-MA
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Leia o texto abaixo para responder às questões 26 e 27.

Tudo que Devia Saber na Vida Aprendi no Jardim de Infância

Roberto Fulghum

Já faz muitos anos que, a cada primavera, imponho-me a tarefa de fazer uma declaração pessoal de fé - de compor um Credo. Quando era mais jovem, meu Credo ocupava páginas e páginas, de tanto que me preocupava em cobrir todas as áreas, sem deixar nada pendente. Era como se tivesse de produzir uma espécie de sentença da Suprema Corte; como se, com palavras, pudesse resolver todos os conflitos sobre o sentido da existência.

Com o tempo, o Credo foi encolhendo. vezes acaba soando cínico, vezes cômico, vezes sereno, mas continuo trabalhando nele. Recentemente resolvi que tinha de fazê-lo caber inteiro em uma única página e que só podia usar palavras simples, mesmo sabendo que corria o risco de parecer idealista e ingênuo.

A ideia de procurar ser breve, verdadeira inspiração, ocorreu-me num posto de gasolina. Estava abastecendo meu velhíssimo automóvel com a gasolina mais pura, de alta octanagem. Combustível de luxo. O carro protestou: começou a ratear nos cruzamentos, vazava combustível pelas esquinas. Eu logo entendi o que estava acontecendo. De vez em quando me sinto assim, como o tanque de meu carro. Excesso de informação, excesso de complexidade, e eu é que começo ratear pelas esquinas - um ratear existencial pelos cruzamentos da vida, justamente nos locais e horas em que tenho de tornar as mais difíceis decisões, e inevitavelmente descubro que ou seu demais, ou sei de menos. Quanto mais penso sobre a vida, mais me convenço de que ela não é um piquenique.

Foi quando descobri que já sei praticamente tudo o que é necessário saber para viver com dignidade - o quê, afinal, não é assim tão complicado. Já sei quais são as coisas que realmente contam. E de fato sei muito tempo, porque tenho vivido essas coisas. Sim, claro que viver já são "outros quinhentos". Eis o meu Credo:

Tudo que eu preciso mesmo saber sobre como viver, o que fazer, e como ser, aprendi no jardim de infância. A sabedoria não estava no topo da montanha mais alta, no último ano de um curso superior, mas no tanque de areia do pátio da escolinha maternal. Vejam o que aprendi:

Dividir tudo com os companheiros.

Jogar conforme as regras do jogo.

Não bater em ninguém.

Guardar os brinquedos onde os encontrava.

Arrumar a "bagunça" que eu mesmo fazia.

Não tocar no que não era meu.

Pedir desculpas, se machucava alguém.

Lavar as mãos antes de comer.

Apertar a descarga da privada.

Biscoito quente e leite frio fazem bem saúde.

Fazer de tudo um pouco - estudar, pensar e desenhar,

pintar, cantar e dançar, brincar e trabalhar,

de tudo um pouco, todos os dias.

Tirar uma soneca todas as tardes.

Ao sair pelo mundo, cuidado com o trânsito, ficar sempre de mãos dadas com o companheiro e sempre "de olho" na professora.

Pense na sementinha de feijão, plantada no copo de plástico: as raízes vão para baixo e para dentro, e a planta cresce para cima - ninguém sabe como ou por quê, mas a verdade é que nós também somos assim.

Peixes dourados, porquinhos-da-índia, esquilos, hamsters e até a semente no copinho plástico - tudo isso morre. Nós também.

E lembre-se ainda dos livros de histórias infantis e da primeira palavra que você aprendeu, a mais importante de todas: Olhe!

Tudo que você precisa mesmo saber está por aí, em algum lugar. A regra de ouro, o amor e os princípios de higiene. Ecologia e política, igualdade e vida saudável.

Escolha um desses itens e o elabore em termos sofisticados, em linguagem de adulto; depois aplique-o vida de sua família, ao seu trabalho, forma de governo no país, ao seu mundo, e verá que a verdade que ele contém mantém-se clara e firme. Pense o quanto o mundo seria melhor se todos nós - o mundo inteiro - fizéssemos um lanche de biscoitos com leite três da tarde e depois nos deitássemos, sem menor preocupação, cada um no seu colchãozinho, para uma soneca. Ou se todos os governos adotassem, como política básica, a ideia de recolocar as coisas nos lugares onde estavam quando foram retiradas; arrumar a "bagunça" que tivessem feito.

E é verdade, não importa quantos anos você tenha: ao sair pelo mundo, vá de mãos dadas, e fique sempre "de olho" no companheiro.

A afirmação incorreta encontra-se na alternativa:

 

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