Só o começo
O Brasil conta enfim com uma carta essencial de direitos de aprendizagem e obrigações da escola, batizada BaseNacional Comum Curricular (BNCC).
Incompleta, decerto, pois falta a parte do ensino médio – e,mesmo quanto ao fundamental, há pendências no texto recém-homologado, uma vez que não se resolveu a questão divisivada educação religiosa.
Ainda assim, é um bom começo.
Só o começo, ressalve-se. Um documento com objetivosclaros não garante, pelo simples fato de existir, que venhama ser alcançados já em 2020, quando a base deverá estarimplantada. Resta um trabalho hercúleo pela frente.
De todo modo, não deixa de ser admirável que o passoinicial tenha sido dado. Desde 2015, o Ministério da Educação logrou apresentar três versões anteriores da BNCC.
Os equívocos de fundo ideológico do primeiro documentoforam expurgados a tempo, ainda que num processo de discussão de início desorganizado.
De 12 milhões de comentários colhidos em consultapública, a BNCC progrediu para um documento mais concatenado e útil, apesar de longo (466 páginas).
Será necessário que governos estaduais e prefeiturasconcretizem os objetivos em currículos adaptados às condições regionais e locais. Cumpre ainda produzir material didático coerente com a base e treinar professores nas técnicasdidáticas correspondentes.
Em paralelo, haverá que adequar sistemas e exames deavaliação. Mais do que verbas, imprescindíveis, mas escassas, o esforço demandará um empenho de coordenação eliderança do governo federal que talvez só se apresente, comsorte, após a eleição presidencial de 2018.
(Editorial. Folha de S.Paulo, 22.12.2017. Adaptado)