Depois de aprender a soletrar “ma-mãe”, “pa-pai” (e talvez “lu-a”), as crianças do mundo inteiro aprenderão a soletrar “pessoa”.
E em uma canção de ninar, com música herdada do Milton Nascimento ou de uma flauta andina, as crianças do mundo inteiro cantarolarão:
— “P” de Povo
— “E” de Esperança
— “S” de Solidariedade (dois “S”, que Solidariedade é plural)
— “O” de Oração
— “A” de Amizade, Alegria, Amor...
— “E” de Esperança
— “S” de Solidariedade (dois “S”, que Solidariedade é plural)
— “O” de Oração
— “A” de Amizade, Alegria, Amor...
E a criança judia dirá: Aleluia! A criança cristã dirá: Amém! A criança muçulmana dirá: Alá! A criança indígena cantará: Sauidi! E a criançada negra gritará: Axé! Mas todas elas com voz de pessoa, com esse único e plural e maravilhoso sotaque da voz humana...
D. Pedro Casaldáliga. Direitos mais humanos.
Rio de Janeiro: Garamond, 1998, p. 87-8 (com adaptações).
Acerca das relações morfossintáticas e semânticas do texto acima, julgue os itens seguintes.
I “Cantarolarão” é o futuro do verbo cantar.
II "(dois “S”, que Solidariedade é plural)", a informação entre parênteses relaciona-se à grafia da palavra “pessoa”.
III A palavra “plural”, nas (duas) ocorrências, tem o sentido de múltiplo, diversificado.
IV A forma “criançada” tem, no texto, teor pejorativo.
V A expressão “único e plural” constitui um paradoxo apenas aparentemente, pois há uma lógica implícita na idéia.
Estão certos apenas os itens
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