Magna Concursos
71494 Ano: 2009
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: SEFAZ-RS

Os novos códigos

Linguagens são códigos, e com eles nos comunicamos. Vivemos segundo alguns, também, na vida diária. Vivemos segundo códigos de ética que no momento são objeto de verdadeira guerra entre nós. Se de um lado andamos de cabeça mais erguida nestes dias, porque ao menos um passo foi dado e temos quatro dezenas de réus em falcatruas variadas e graves, paira ainda certo receio de que tudo seja turvado por interesses políticos ( ... ) Mas estamos mais esperançosos de que a verdade e a Justiça culpem os culpados e absolvam os inocentes.

Isso dito, vamos ao código que aqui me interessa, o da linguagem, o da comunicação, que na verdade é múltiplo ( ... ). Linguagem de cegos, linguagem de surdos, linguagem de namorados, as linguagens das famílias - em que determinadas palavras evocam cenas hilariantes ou tristes. Linguagens técnicas, linguagens profissionais, o jargão dos médicos, dos advogados, que precisa eventualmente ser traduzido para o comum mortal. Sem falar na linguagem das siglas que dominam o mundo, para as quais até dicionários já existem. E a linguagem técnica ligada às mais variadas ciências e meandros do universo tecnológico, no vasto e interessantíssimo leque das nossas capacidades e curiosidades.

Agora, surge uma preocupação com a linguagem abreviada(c) e de caráter fonético usada em mensagens de computador, como nos chats. Os catastrofistas, de cabelo em pé, empunham a vassoura da faxina crítica. O receio é que os jovens(e), usando esse recurso que tem a ver com velocidade e economia, haveriam(e) de desaprender, ou nunca aprender direito, o código do próprio idioma escrito. Receio infundado: somos capazes de dominar, na fala e na escrita, várias linguagens ao mesmo tempo e transitar entre elas com habilidade(c) e até elegância em certos casos. ( ... ) Acredito - e os linguistas talvez confirmem - que, de quanto mais recursos dispomos, melhor os usamos em cada ocasião.

É preciso dar uma chance às novidades e inovações, em lugar de criticar de saída ou prevenir-se contra, como se tudo o que é· novo fosse primariamente mau. É como se fora da língua culta, a língua-padrão que é e deve ser usada em momentos mais sérios, todas as demais formas de comunicação fossem espúrias. Não sejamos chatíssimos senhores com odor de naftalina, ou damas enfiadas no espartilho do preconceito: sem ginga, sem alegria, sem abertura para o novo e o bom, por isso mesmo sem discernimento para o verdadeiramente mau.

Além de tudo, a língua, como os costumes, a vida, a sociedade e as culturas, no bom e no negativo(b), segue uma evolução que independe de nós, dos moralistas, dos puristas, dos gramáticos, dos donos da verdade, dos que seguram o facho da razão numa das mãos e na outra o chicote da censura. Nem tudo o que é novo(a) é positivo, mas nem tudo o que é tradicional é melhor. Ou ainda acenderíamos fogo esfregando pedrinhas, no fundo obscuro de alguma caverna.

(Adaptação de artigo da escritora Lya Luft, publicado na Revista Veja, em 12/9/2007)

O emprego de alguns recursos sintáticos pelo autor do texto não permite concluir corretamente que:

 

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