O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Como agir ao presenciar uma crise convulsiva
Saber reconhecer os sinais e agir com calma pode evitar ferimentos e
salvar vidas em um momento que costuma assustar quem presencia
Uma pessoa cai no chão, perde a consciência e o corpo
começa a se mover de forma descontrolada. A cena
causa medo, silêncio e, muitas vezes, atitudes
impulsivas. Em situações como essa, informação é
cuidado e faz toda a diferença para a segurança de
quem está passando pela crise.
Segundo Débora Lima, fisioterapeuta especialista em
neurologia e professora da UNISUAM, uma convulsão
ocorre quando há uma descarga elétrica anormal no
cérebro, o que provoca alterações súbitas no movimento,
consciência e comportamento do indivíduo. "Dentre os
sinais mais comuns que podemos observar, temos:
perda de consciência, queda súbita, rigidez do corpo
(fase tônica) seguida de movimentos repetitivos e
involuntários dos braços e pernas (fase clônica)", explica.
Durante a crise, ainda podem surgir outros sinais que
aumentam a apreensão de quem está por perto, como
olhos revirados, salivação excessiva, espuma pela boca,
respiração irregular e, às vezes, eliminação involuntária
de urina ou fezes.
Em alguns casos, o corpo dá sinais antes da convulsão
acontecer, por isso é necessário prestar atenção aos
sinais do corpo, segundo a profissional. "A pessoa pode
relatar uma aura (que é uma sensação estranha, como
cheiro diferente, tontura ou formigamento), indicando que
uma convulsão está prestes a começar."
Como ajudar
Ao presenciar uma convulsão, a primeira atitude deve
ser conter o impulso de intervir de forma brusca: não se
deve tentar imobilizar o corpo, já que isso pode causar
lesões musculares, luxações ou fraturas na pessoa em
crise. Outros comportamentos comuns também precisam
ser evitados:
• Nunca se deve colocar objetos ou dedos na boca da
pessoa. "Isso não evita que ela 'engula a língua' (o que é
um mito) e pode causar fraturas dentárias, engasgo ou
mordidas graves";
• Oferecer líquidos, alimentos ou medicamentos é igualmente contraindicado, já que aumenta o risco de aspiração pulmonar.
"A primeira conduta é proteger a pessoa contra lesões",
orienta Débora. Isso envolve cuidados simples, como
afastar objetos, colocar algo macio sob a cabeça e, se
possível, deitar a pessoa de lado para evitar que saliva
ou vômito sejam aspirados para os pulmões.
"É importante afrouxar roupas apertadas no pescoço,
como gravatas ou colarinhos, e marcar o tempo da crise, pois crises com duração maior que 5 minutos podem
indicar estado de mal epiléptico, uma emergência
médica", alerta.
Depois que a convulsão termina, o cuidado deve
continuar, isso porque após a crise, a pessoa entra no
chamado período pós-ictal, caracterizado por confusão
mental, sonolência, dor de cabeça e desorientação.
Nesse momento, a orientação é clara: "mantenha a
pessoa deitada de lado, observe sua respiração, fale de
forma calma e não force que ela se levante".
Atenção redobrada é necessária se surgirem sinais de
gravidade, como sangramentos, quedas ou ferimentos.
"Se a pessoa não recuperar a consciência, tiver outra
crise em seguida ou apresentar dificuldade respiratória, o
serviço de emergência deve ser acionado
imediatamente."
"Crianças, idosos e gestantes são mais vulneráveis a
complicações", afirma. "Em crianças, convulsões podem
estar associadas à febre alta (convulsão febril) e devem
ser sempre avaliadas por um profissional de saúde". Nos
idosos, o risco de traumatismos cranianos, fraturas e
causas neurológicas graves (como AVC) é maior, o que
exige avaliação médica mesmo após crises
aparentemente simples. Já nas gestantes, a convulsão
pode estar relacionada à eclâmpsia, uma condição grave
associada à hipertensão da gravidez, que coloca em
risco tanto a mãe quanto o bebê. Nesses casos, a
convulsão é sempre uma emergência médica.
(Júlia Custódio. Disponível em:
https://vidasimples.co/saude-do-corpo/como-agir-ao-presenciar-uma-cri
se-convulsiva/. Acesso em 09 mar. 2026.)
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