Magna Concursos
3525159 Ano: 2008
Disciplina: História
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Seria uma felicidade para mim, decerto, a morte de Adrião. Desgraçadamente aquela criatura tinha sete fôlegos. Hoje quase a morrer, de olho duro, vela debaixo do travesseiro, a casa cheia. Padre ao lado, os amigos escovando a roupa preta — e amanhã arrimado à bengala, perna aqui, perna acolá, manquejando.

Decididamente o Dr. Liberato é um sujeito desastrado: deixa que se vão os doentes que fazem falta e adia o fim dos inúteis. Guiomar Mesquita, com dezoito anos, flor de graça e bondade, como diz Xavier Filho, depois de quatro meses ora arriba ora abaixo, lá se foi em março. E a mulher do sapateiro, a tísica, ainda vive. Enquanto, carregado de apreensões, eu tentava acrescentar uma página aos meus caetés, ouvia-lhe a tosse cavernosa.

Vendo Adrião estirado, a gente perguntava:

— Há perigo, Doutor?

E o Dr. Liberato falava no ventrículo, na aurícula, nas válvulas, e opinava:

— Se não sobrevierem complicações, julgo que não há perigo.

Não sobrevinham complicações. A aurícula, o ventrículo, as válvulas continuavam a funcionar — e Adrião, combalido, existia.

Graciliano Ramos. Caetés. Rio, São Paulo: Record, Martins, 1975, p. 165.

Julgue os itens de 91 a 101, a seguir, acerca do trecho acima, do romance Caetés, de Graciliano Ramos, e do contexto literário e histórico em que a obra foi produzida, bem como das idéias e estruturas lingüísticas do texto.

A Igreja Católica retomou seu lugar no cotidiano social brasileiro como religião oficial do Estado Monárquico, após ter sido dele afastada no século XVIII, por ocasião da expulsão da ordem dos jesuítas decretada pelo Marquês de Pombal.

 

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