Economia criativa
John Newbigin é hoje um dos maiores especialistas em economia criativa, credencial obtida quando assessorou o ministro da Cultura britânico na implantação de políticas públicas para o setor, nos anos 1990. Naquela década, ele viu como cidades podem ser requalificadas por meio da economia criativa.
Segundo Newbigin, quando lideranças locais colaboram com artistas – por exemplo, ao disponibilizar espaços de trabalho por preços acessíveis em prédios abandonados –, o resultado é a revitalização de regiões degradadas.
Ele cita como exemplo bem-sucedido o caso da Custard Factory, uma fábrica abandonada em Birmingham, segunda maior cidade inglesa. Uma iniciativa público-privada renovou a fábrica e o retrofit* tornou o prédio atrativo para profissionais criativos.
Inaugurada em 1993, a “fábrica” abriga atualmente 500 negócios, entre eles lojas independentes e eventos artísticos. O resultado foi a valorização do antes deteriorado bairro de Digbeth.
Mas e na América Latina? Para Newbigin, é falso acreditar que países ricos tenham mais chances de desenvolver seus setores criativos do que economias emergentes. Ele cita estudos da União Europeia segundo os quais o crescimento mais rápido do setor se dá nos países latinos, na África e na Ásia.
O segredo para o desenvolvimento, argumenta, é baseado em um tripé: adotar leis que “valorizem a pesquisa e o desenvolvimento”, ter um sistema educacional que forme jovens “espertos, gentis e curiosos” para atuar nos diversos ambientes profissionais, e lideranças políticas capazes de “entender a importância da criatividade”.
Em países de baixa escolaridade e grande desigualdade social, como o Brasil, é importante fazer com que comunidades marginalizadas possam acessar cadeias de distribuição a partir de suas habilidades e boas ideias, independentemente do grau de instrução. “A economia digital pode ser inclusiva. Você não precisa de um PhD para ser bem-sucedido, e sim de uma boa ideia e de networking”, diz Newbigin.
Ele diz ainda que “a rica herança brasileira no esporte e na cultura popular são ativos poderosos, que distinguem o país” perante os concorrentes.
(João Perassolo. Folha de S.Paulo, 05.11.2018. Adaptado)
*retrofit: revitalização de uma edificação cuja construção é considerada ultrapassada
Assinale a alternativa em que a expressão destacada apresenta a mesma ideia da expressão “por exemplo”, destacada no segundo parágrafo do texto.