Vovós Modernas
Foi-se o tempo em que as viúvas botavam um vestido escuro e viviam esquecidas do mundo. Suas únicas alegrias eram os netos, a quem se dedicavam como fadas- madrinhas. Mãe podia ficar bravaa, dar pito. Vovó permitia tudo.
Todos adoravam as vovós de gestos adocicados, sempre prontas para ir à cozinha. Menos as próprias. Tanto que, na primeira chance, mudaram.
Pois é. Os tempos são outrosb. Vovós tingem os cabelos. Fazem plástica. Lipo. Vão à academia. Viajam. Às vezes, namoram contra a vontade dos filhos.
– Mamãe, eu não gosto daquele sujeito!
– Sei cuidar de mim! Já troquei suas fraldas!
– Deixa, ela é uma teimosa! Depois não diga que não avisamos! – lamentava-se a nora.
Muitas mulheres viúvas ou separadas tornam-se amigasc e fazem programas juntas, sem obrigar a família a acompanhá- las. Vão dançar. Às vezes tomam uma cerveja, por que não? Falam, é claro, de amores.
Mas ainda há bastante preconceito. Não falta quem gostaria de acorrentar avós ao fogãod! Se várias delas abriram a cabeça, eles não.
Porém não há regras. Inúmeras mulheres têm um temperamento mais reservado. Preferem continuar com uma vida calmae, de dedicação total à família. Ótimo, quando é por vontade própria. Péssimo, se é por pressão dos filhos. Ninguém é obrigado a permanecer em um papel inventado pela sociedade.
Garanto meu apoio a essas mulheres que formam um grupo ávido por seus direitos.
(Walcyr Carrasco. Veja SP, 01.11.2006. Adaptado)
O trecho do texto em que o autor emprega o exagero para enfatizar uma ideia está na alternativa: