“Um gato de nome Faro-Fino deu de fazer tal destroço na rataria duma casa velha que os sobreviventes, sem ânimo de sair das tocas, estavam a ponto de morrer de fome. Tornando-se muito sério o caso, resolveram reunir-se em assembleia para o estudo da questão. – Acho – disse um deles – que o meio de nos defendermos de Faro-Fino é lhe atarmos um sino ao pescoço. Assim que ele se aproxime, o sino o denuncia e fugimos a tempo. Palmas e bravos saudaram a luminosa ideia. O projeto foi aprovado com delírio. Só votou contra um rato casmurro, que pediu a palavra e disse – Está tudo muito direito. Mas quem vai amarrar o sino no pescoço de Faro-Fino? Silêncio geral. Um desculpou- se por não saber dar nó. Outro, porque não era tolo. Todos, porque não tinham coragem. E a assembleia dissolveu-se no meio de geral consternação”.
(Com adaptações).
Em certas passagens do texto, aparece o sinal de pontuação denominado travessão. Nesses casos, essa pontuação foi utilizada para indicar: