Magna Concursos
2440529 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB

Texto I

Canto do Homem Marcado

Sou um homem marcado...

Em país ocupado

Pelo estrangeiro.

Sou marinheiro

Desembarcado;

Marcho na bruma das madrugadas;

Mas —

Trago das águas

A substância

Da claridade

DA CLARIDADE!

[...]

Em outros tempos e antigos

Plantei alfaces, vendi craveiros,

Fui hortelão, fui jardineiro;

E a escura terra...

Terra

Dos meus canteiros,

Sempre arqueava o dorso

Ao gesto amigo

De minha mão.

[...]

Muito bem sei, senhores,

Que sou um sonho cravado na morte, Que sou um homem ferido no

olhar...

E que trago, bem viva, entre as

nódoas do mundo,

A mancha do meu país natal.

Joaquim Cardozo. Poesia Completa e Prosa.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2010.

Texto II

Na minha terra

Amo o vento da noite sussurrante

A tremer nos pinheiros

E a cantiga do pobre caminhante

No rancho dos tropeiros;

E os monótonos sons de uma viola

No tardio verão,

E a estrada que além se desenrola

No véu da escuridão;

A restinga d’areia onde rebenta

O oceano a bramir,

Onde a lua na praia macilenta

Vem pálida luzir;

E a névoa e flores e o doce ar

cheiroso

Do amanhecer na serra,

E o céu azul e o manto nebuloso

Do céu de minha terra;

E o longo vale de florinhas cheio

E a névoa que desceu,

Como véu de donzela em branco

seio, As estrelas do céu.

Álvares de Azevedo. Lira dos Vinte anos.

São Paulo: Martins Fontes, 1996.

Considerando os textos acima e os múltiplos aspectos que eles suscitam, julgue o item que se segue.

No texto I, no verso “A mancha do meu país natal”, o vocábulo mancha é empregado em sentido denotativo.

 

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