Lira XXXIV
Minha bela Marília, tudo passa;
a sorte deste mundo é mal segura;
se vem depois dos males a ventura,
vem depois dos prazeres a desgraça.
Estão os mesmos deuses
Sujeitos ao poder do ímpio fado:
Apolo já fugiu do céu brilhante,
já foi pastor de gado
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Ornemos nossas testas com as flores,
e façamos de feno um brando leito;
prendamo-
nos, Marília, em laço estreito,
gozemos do prazer de são amores.
Sobre as nossas cabeças,
sem que o possam deter, o tempo corre;
e para nós o tempo que se passa
também, Marília, morre.
Com os anos, Marília, o gosto falta,
e se entorpece o corpo já cansado;
triste, o velho cordeiro está deitado,
e o leve filho sempre alegre salta.
A mesma formosura
é dote que só goza a mocidade:
rugam-se as faces, o cabelo alveja,
mal chega a longa idade.
Que havemos de esperar, Marília bela?
que vão passando os florescentes dias?
As glórias que vêm tarde, já vêm frias,
e pode, enfim, mudar-se a nossa estrela.
Ah! Não, minha Marília,
aproveite-se o tempo, antes que faça
o estrago de roubar ao corpo as forças,
e ao semblante a graça.
Os versos acima são de Tomás Antônio Gonzaga. Neles, podemos considerar: