Os professores
01 Achei por muito tempo que ia ser professor. Tinha pensado em livros a vida inteira, era-me imperiosa a dedicação
02 a aprender e não guardava dúvidas acerca da importância de ensinar. Lembrava-me de alguns professores como se fossem
03 família ou amores proibidos. Tive uma professora tão bonita e simpática que me serviu de padrão de felicidade absoluta ao
04 menos entre os meus treze e os quinze anos de idade.
05 A escola, como mundo completo, podia ser esse lugar perfeito de liberdade intelectual, de liberdade superior,
06 onde cada indivíduo se vota* a encontrar o seu mais genuíno, honesto caminho. Os professores são quem ainda pode, por
07 delicado e precioso ofício, tornar-se o caminho das pedras na porcaria do mundo em que o mundo se tem vindo a tornar.
08 [...]
09 As escolas não podem ser transformadas em lugares de guerra. Os professores não podem ser reduzidos a
10 burocratas e não são elásticos. Não é indiferente ensinar vinte ou trinta pessoas ao mesmo tempo. Os alunos não podem
11 abdicar da maravilha nem do entusiasmo do conhecimento. E um país que forma os seus cidadãos e depois os exporta sem
12 piedade e por qualquer preço é um país que enlouqueceu. Um país que não se ocupa com a delicada tarefa de educar, não
13 serve para nada. Está a suicidar-se. Odeia e odeia-se.
*votar-se = dedicar-se
HUGO MÃE, Valter. In https://www.revistaprosaversoearte.com/belissima-reflexao-os-professores-por-valter-hugo-mae. Acesso em 18/03/2018.
A palavra “família” (l. 03) é acentuada por ser: