Pela ânsia de resolver todo o tipo de adversidade, clamamos por um: como faço para ensinar arte para tantos alunos, com um tanto de tempo e outro tanto de condições de trabalho? A resposta ouvida, talvez frustrante, vem em forma de uma metáfora: não há receita. Analisando a metáfora e refletindo sobre a metodologia do ensino da arte podemos afirmar que:
I - O uso da receita não faz mais parte do processo educacional, voltado ao ensino e aprendizagem da arte. As receitas foram retiradas da educação porque durante um bom tempo tornaram-se um jargão, um clichê, por vezes pejorativo, repetido que foi tido como uma regra a ser seguida pelos profissionais da educação com uma ênfase bula do clássico ignorando o contemporâneo.
II - Receitar sobre métodos no ensino da arte como forma de apaziguar angústias e ansiedades pela resolução imediata de problemas específicos, e de indução à compreensão contemporânea do processo educativo como algo específico a um contexto, interagente e variável, avesso se tornou um estereotipado caráter prescritivo.
III - Ao longo da história do ensino da arte muitas receitas foram elaboradas, usadas, reinventadas; por vezes - por vários motivos, reproduzidas, indiferentes aos seus contextos. Todas essas receitas de como ensinar arte continuam a circular, impressas em livros didáticos e paradidáticos, porém são proibidas de serem usadas nas salas de aula
IV - As receitas, os métodos, as metodologias, são importantes como formas abstratas de organização, de sistematização, uma constituição de sentido que aplaca nossa sensação de insegurança diante da condição movediça daquilo que chamamos realidade. No entanto, efetivamente, é em nossa relação com cada uma dessas nossas realidades - aliando aquilo que sabemos às situações concretas que vivemos, em meio ao erro, a instabilidade, a confusão, ao inesperado - que podemos encontrar os modos de agir, os como fazer, os caminhos possíveis.
São asserções corretas as afirmativas: