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1738188 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: FAPESP
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Comportamento revisitado

Cinquenta e quatro anos atrás, um jovem fotógrafo de um jornal de Arkansas, EUA, cobriu o primeiro dia de aula de um grupo de estudantes negros na maior e melhor escola média de Little Rock e sua foto tornou-se um registro oficial do racismo da época.

Eram apenas nove os jovens negros selecionados pela direção desse colégio para cumprir a ordem judicial de integração racial no país. A peneira tinha sido cautelosa: concentrara-se em colegiais que moravam perto da escola, tinham ótimo rendimento escolar e mostravam-se tranquilos quanto a possíveis agressões dos estudantes brancos.

Assim nasceu um dos grupos que entraria para a história dos direitos civis americanos. Eram filhos de funcionários públicos, integrantes da recém-formada classe média negra sulista. Entre eles, Elizabeth Eckford, de 15 anos.

Naquele início de ano letivo de 1957, as autoridades temiam que os ânimos se inflamassem, por isso, as famílias negras tinham sido instruídas a se agruparem para que os estudantes negros chegassem à escola com um líder civil. Menos Elizabeth, que não fora avisada e chegou à escola sozinha. Foi barrada por um cordão de policiais, por três vezes. Com medo, resolveu voltar para casa. Uma pequena multidão começou a se formar às suas costas e ela conseguia ouvir investidas contra ela.

Entre os que a seguiam, havia adolescentes brancas, alunas do colégio. Uma era Hazel Bryan, também com 15 anos, que tinha aprendido o racismo com o pai. No momento em que ela gritava “Vá embora!”, o fotógrafo flagrou-a e essa imagem se tornou histórica.

A foto percorreu o mundo. Mostra Elizabeth perseguida por muitas pessoas brancas, com um fichário contra o peito, numa clara indicação do medo que sentia, e Hazel, com expressão de raiva.

Foi assim que as duas se “encontraram” sem se conhecerem. Aliás, nem se viram na escola, pois os pais de Hazel, preocupados com a repercussão, transferiram-na de colégio. Essa foto as manteve ligadas por mais de 50 anos, embora com vidas diferentes. Hazel se converteu na imagem oficial da intolerância e a caminhada solitária de Elizabeth virou bandeira para uma geração de negros.

Nessas décadas todas, houve momentos em que Hazel procurou pessoalmente Elizabeth para lhe pedir desculpas, aparentemente aceitas, e houve muita exploração do caso na mídia, em programas de entrevista, na TV. Depois de tantos anos, as duas, já na terceira idade, não se propõem mais a tentar uma aproximação. Porém a vida entrelaçada das duas personagens serve de símbolo para o país, sem soluções fáceis para o problema das relações sociais.

Hoje, as barreiras legais não existem, mas a cor da pele ainda marca e separa muitas pessoas nos EUA.

(Piauí, novembro de 2011. Adaptado)

Segundo o texto,

 

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