Sítio do Picapau Amarelo é um conjunto de histórias de fantasia escrito pelo autor brasileiro Monteiro Lobato. O cenário principal é o sítio onde vive Dona Benta, uma senhora com mais de sessenta anos, em companhia de sua neta Lúcia, ou Narizinho. A neta Narizinho tem como amiga inseparável uma boneca de pano velho chamada Emília. No decorrer das histórias, Emília começou a falar e a agir como uma criança de verdade. Durante as férias escolares e em outros períodos, Pedrinho, primo de Narizinho, passa temporadas no Sítio do Picapau Amarelo. Juntos, eles desfrutam de várias aventuras com muitos outros personagens, destacando-se o Visconde de Sabugosa, um sábio boneco de sabugo de milho.
Leia o texto I, ambientado no Sítio do Picapau Amarelo, e responda a questão.
TEXTO I
O MÊS DE ABRIL
Era em abril, o mês do dia de anos de Pedrinho e por todos considerado o melhor mês do ano. Por quê? Porque não é frio nem quente e não é mês das águas e nem de seco ─ tudo na conta certa! E, por causa disso, inventaram lá no Sítio do Picapau Amarelo uma grande novidade: as férias de lagarto.
─ Que história é essa?
Uma história muito interessante. Já que o mês de abril é o mais agradável de todos, escolheram-no para o grande “repouso anual” ─ o mês inteiro sem fazer nada, parados, cochilando como lagarto ao sol! Sem fazer nada é um modo de dizer, pois que eles ficavam fazendo uma coisa agradabilíssima: vivendo! Só isso. Aproveitando o prazer de viver...
─ Sim ─ dizia Dona Benta ─ porque a maior parte da vida nós a passamos entretidos em tanta coisa, a fazer isto e aquilo, a pular daqui para ali, que não temos tempo de aproveitar o prazer de viver. Vamos vivendo sem prestar atenção na vida e, portanto, sem aproveitar o prazer de viver à moda dos lagartos. Já repararam como os lagartos ficam horas e horas imóveis ao sol, de olhos fechados, vivendo, aproveitando o prazer de viver ─ só, sem mistura?
E era muito engraçada a organização que davam ao mês de abril lá no sítio. Com antecedência, resolviam todos os casos que tinham de ser resolvidos, acumulavam coisas de comer das que não precisam de fogão ─ queijo, fruta, biscoito etc., botavam um letreiro na porteira do sítio:
A família está ausente.
Só volta no mês de maio.
E, depois de tudo muito bem arrumado e pensado, caíam no repouso.
Era proibido fazer qualquer coisa. [...] Todos vivendo ─ só isso! Vivendo biologicamente, como dizia o Visconde.
Mas a necessidade de agitação é muito forte nas crianças, de modo que aqueles “abris de lagarto” tinham duração curta. Para Emília, a mais irrequieta de todos, duravam no máximo dois dias. Era ela sempre o primeiro lagarto a acordar e correr para o quintal a fim de “desenferrujar as pernas”. Depois vinha fazer cócegas com uma flor de capim nas ventas de Narizinho e Pedrinho ─ e esses dois lagartos também se espreguiçavam e iam desenferrujar as pernas.
(LOBATO, Monteiro. O mês de abril. In: . Obra infantil completa. Vol. 3. São Paulo: Brasiliense. Adaptado.)
De acordo com o contexto, a expressão “─ Que história é essa?” marca o discurso de(o)