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Atenção: As questões de números 1 a 10 referem-se ao texto que segue.

A arte de procrastinar

Procrastinar, segundo o "Houaiss", é "transferir para outro dia ou deixar para depois; adiar, delongar, postergar, protrair". Mas o que sabem os dicionários? Bichos afoitos, na ânsia de engolir o mundo, mal têm tempo de mastigar cada palavra, de extrair delas todo o sabor e os nutrientes, de modo que a definição acima diz tanto sobre a complexa arte da embromação quanto "forma de interação psicológica ou psicobiológica entre pessoas, seja por afinidade imanente, seja por formalidade social" explica o "amor".

Percebo, porém, que divago. Em vez de encarar o dever proposto no título e falar sobre a procrastinação, a pratico: passeio por enfadonhos arrabaldes, perco-me nas borradas fronteiras da linguagem e do coração. Tudo bem, não há razão para me afligir, pois as crônicas são redondas como a Terra, e às vezes é indo para trás que chegamos ali na frente. Se o parágrafo anterior fugiu à teoria, serve ao menos como demonstração prática do que entendo por procrastinar: adiar alguma obrigação chata arrumando outra atividade igualmente tediosa para pôr em seu lugar.

Veja, caro leitor: ir ao cinema em vez de trabalhar não é procrastinação. É vagabundagem, no melhor sentido do termo. Já abrir o site do banco e ficar digitando a infinita sequência numérica do código de barras de uma conta de luz que só vence no fim de junho, quando se está cheio de trabalho para amanhã, eis o mais nítido retrato da procrastinação. Pois essa praga dispersiva é filha de Deus com o Diabo, é um pecado que já vem com penitência. O procrastinador só se permite gozar o adiamento do trabalho maltratando-se no interlúdio. Troca-se de aborrecimento, mais do que dele se desvia; eis como o saci da procrastinação oculta sua presença e surrupia nosso tempo, nossa vida.

A procrastinação é um mal, meus caros, não por arrancar- nos do trabalho, mas por nos grilar o ócio. Não é aferrando-me à labuta, portanto, que pretendo combater este vício, mas buscando forças para me entregar totalmente à lassidão.

(Antonio Prata, Folha de S. Paulo, 30/05/2012)


Atente para as seguintes afirmações:

I. O autor refere-se ao verbete “amor” (1º parágrafo) para exemplificar uma acepção apropriada de um vocábulo, contrapondo-a à do verbete “procrastinar”.

II. O adiamento da definição do que seja procrastinar (2º parágrafo) é um hábil expediente utilizado com humor pelo cronista.

III. Quem vive a procrastinar as tarefas ingratas está interessado, segundo o autor, em extrair o máximo prazer de uma plena vagabundagem.

Em relação ao texto, está correto o que se afirma APENAS em

 

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