Magna Concursos
2263094 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: Pref. Piracicaba-SP

Há muito tempo que estão falando em acabar com as feiras, uns desejando e outros temendo que acabem mesmo. Não sei que providências foram ou não foram tomadas, mas as feiras estão aí. Inicia-se agora uma espécie de hiato, a extinção desse comércio livre às segundas-feiras, para descanso da companhia, isto é, dos feirantes, que não estão pleiteando descanso nenhum.

Os argumentos contra as feiras são principalmente três: primeiro que os preços são os mesmos das quitandas, segundo que atravancam as ruas, e depois a desordem que deixam. Oh! Que sujeira, que coisa desagradável, que cheiro de peixe! E quanto lixo, folhas e cascas, depois do meio-dia!

O primeiro argumento a favor das feiras é que se trata de um método democrático de negociar. O povo vendendo para o povo. Comprar na feira é praticar o analfabetismo mais gostoso e brasileiro que possa haver. Errar nas contas, no troco, pechincar, reclamar, divertir-se.

E a delícia completa de poder escolher? O mais caro, o mais barato, o mais verde, o mais doce, o mais fino, o mais viçoso, o mais engraçado, o mais claro, o mais miúdo, a pilha mais alta, o arranjo mais perfeito. E que lindos pregões1, sonoros, em vozes fortes de tenor e de barítono, que lindos pregões!

Tudo isso em meio de uma ruidosa alegria matinal, livre, lírica, todos falando alto, à vontade, sem inibição nenhuma, o sol nos cabelos e os olhos repousando na abençoada fartura das pilhas coloridas de frutas e a descomedida abundância de verduras frescas, tão verdinhas!

Lugar para ver mulher risonha, de rosto lavado, com os cabelos apanhados de qualquer jeito, nesse gracioso despenteado de que os cabeleireiros todos têm o segredo hoje em dia. Há muita pobre coitada cujo único passeio é ir à feira (às vezes também dão um pulinho até a maternidade). Pois é. Estão falando em acabar com as feiras livres, mas me parece que nós, as donas de casa, ainda não fomos consultadas a respeito e ninguém ignora que somos os ministros das Finanças.

(Ruth Guimarães. Segunda sem feira. www1.folha.uol.com.br, 10.01.1965. Adaptado)

1 pregões: divulgações de produtos, gritadas ou cantadas livremente.

No trecho “Há muita pobre coitada cujo único passeio é ir à feira (às vezes também dão um pulinho até a maternidade)” (6º parágrafo), o vocábulo em destaque indica

 

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