FENÔMENO DA VARIAÇÃO
Exemplo 1
(Consulta médica)
Médico: De acordo com o laudo, você está com um processo de intumescência resultante de lesão inflamatória e necrose subcutânea.
Paciente: Meu Deus, doutor! E quanto tempo eu tenho de vida?
Médico: Ah, não se preocupe, pois é só um furúnculo.
Paciente: Ufa!
(Adaptado. Disponível em: http://www.cmf.ensino.eb.br/sistemas/pipa/files/arquivos/NA/1675_28_03_2013_Arquivo.pdf)
Exemplo 2:
Cuitelinho
(Intérpretes: Pena Branca e Xavantinho - Composição: Paulo Vanzolini / Antônio Xandó)
Cheguei na bera do porto
Onde as ondas se espáia
As garça dá meia volta
E senta na bera da praia
E o cuitelinho não gosta
Que o botão de rosa caia, ai, ai, ai
Aí quando eu vim de minha terra
Despedi da parentaia
Eu entrei no Mato Grosso
Dei em terras paraguaia
Lá tinha revolução
Enfrentei fortes bataia, ai, ai, ai
A tua saudade corta
Como aço de navaia
O coração fica aflito
Bate uma, a outra faia
Os óio se enche d’água
Que até a vista se atrapaia, ai, ai, ai
Onde as ondas se espáia
As garça dá meia volta
E senta na bera da praia
E o cuitelinho não gosta
Que o botão de rosa caia, ai, ai, ai
Aí quando eu vim de minha terra
Despedi da parentaia
Eu entrei no Mato Grosso
Dei em terras paraguaia
Lá tinha revolução
Enfrentei fortes bataia, ai, ai, ai
A tua saudade corta
Como aço de navaia
O coração fica aflito
Bate uma, a outra faia
Os óio se enche d’água
Que até a vista se atrapaia, ai, ai, ai
(Disponível em: http://letras.terra.com.br/pena-branca-e-xavantinho/48101/)
Com base no texto 'FENÔMENO DA VARIAÇÃO', leia as afirmativas a seguir:
I. No trecho do exemplo 1: “Meu Deus, doutor! E quanto tempo eu tenho de vida?”, há um verbo irregular cuja desinência modo-temporal indica uma forma de particípio presente. Quanto à desinência número-pessoal, o mesmo verbo está na primeira do singular. No exemplo 2, o verbo “vir” é anômalo.
II. Os versos do poema (exemplo 2) revelam um caráter hermético das tradições rurais pelo uso constante das marcas de oralidade presentes em algumas palavras. Já no exemplo 1, as variantes utilizadas pelos dois interlocutores ratificam a ideia de que há falares distintos e a adequação linguística, no caso da consulta, não poderia ser levada em consideração devido à postura do profissional médico.
III. Em relação à organização sintática e semântica, na segunda fala do médico (“Ah, não se preocupe, pois é só um furúnculo”), há uma oração coordenada assindética cujo conectivo evidencia uma ideia de explicação. Além disso, do ponto de vista pragmático, há uma interjeição responsável por introduzir no discurso do médico a ideia de pouca gravidade do problema e, consequentemente, liberar sobre o paciente uma sensação de alívio. No exemplo 2, na canção, foram utilizados alguns recursos próprios de certas variantes do falar caipira como a perda da ditongação em palavras como “bera” e o acréscimo de tritongo em “espaia”, “parentaia”.
IV. Movido por suas intenções, o autor da canção (exemplo 2) optou por utilizar um grau de formalismo deliberativo em que há uma completa integração entre falante (autor da música) e ouvinte (amantes da música caipira), com o uso frequente de formas abreviadas, padronizadas, ortografia simplificada, construções simples, sentenças fragmentadas.
Marque a alternativa CORRETA: