
Charge de 1905, tematizando a reação contra a vacinação obrigatória (O Malho).
O estopim que deflagrou a Revolta da Vacina foi a publicação, no dia 9 de novembro de 1904, do decreto que regulamentava a aplicação da vacina obrigatória contra a varíola — aprovada por decisão do próprio presidente da República.
Para além das vicissitudes e dos usos políticos — de muitos lados — a que a rebelião se viu sujeita, importa guardar alguns aspectos. Em primeiro lugar, a introdução de uma medicina intervencionista que, em nome da higiene, alcançava espaços inusitados de atuação, que iam do indivíduo à comunidade e, quiçá, priorizavam a própria nação. É dessa maneira que se pode entender a adoção, a partir do início do século, de projetos de eugenia que visavam controlar a reprodução da população, privilegiando um tipo cada vez mais branqueado. Em segundo lugar, a revolta permite entender impasses próprios a esse final de século, com tantas utopias tão pouco partilhadas. Na revolta, diferentes “Brasis” estavam em questão; muitos projetos, em pauta.
Angela Marques da Costa. 1890-1914: no tempo das certezas. São Paulo: Companhia das Letras, 2000, p. 120-2.
Tendo o texto acima como referência, bem como os contextos históricos a que ele remete, julgue os itens que se seguem.
Enquanto, no Brasil, no início do século XX, ainda se registravam focos endêmicos de varíola, população majoritariamente analfabeta, cidades desprovidas dos serviços de calçamento e saneamento, os Estados Unidos da América construíam as bases que projetariam esse país como potência hegemônica no mundo capitalista do pós-guerra.