Estrelomotos e a nossa vizinhança cósmica
Durante a noite do dia 27 de agosto, sete satélites de comunicação entraram misteriosamente em alerta vermelho: seus aparelhos foram desligados pelo computador central do satélite para que fossem protegidos de uma enorme onda de radiação eletromagnética, na sua maior parte de raios X. Rádios e telecomunicações na Terra foram interrompidos ou sofreram forte interferência durante cinco minutos. Durante a interrupção, a ionosfera baixou de sua altitude noturna, de aproximadamente 18 mil metros, até sua altitude diurna, de cerca de 12 mil metros. A ionosfera é usada como uma espécie de espelho para refletir ondas de rádio de um ponto a outro na Terra. Portanto, quanto mais alta a ionosfera, mais longe as ondas podem viajar, explicando por que à noite as transmissões mais longas são mais eficientes.
Após um mês de muita pesquisa e especulação, foi achado o culpado da misteriosa interferência: uma estrela de nêutrons, localizada a 20 mil anos-luz da Terra, sofreu o que astrofísicos chamam de um “estrelomoto”, uma espécie de terremoto extremamente violento, que rearranja a superfície da estrela. Esse evento causou a produção de uma enorme quantidade de raios X e raios gama. O fenômeno mostrou, pela primeira vez, como eventos fora de nosso sistema solar podem afetar as condições ambientais aqui na Terra.
Marcelo Gleiser. Folha de S.Paulo, 11/10/1998 (com adaptações).
Tendo o texto como referência, julgue os itens a seguir.
I Com certeza ocorreu efeito Compton na atmosfera da Terra.
II Se a Terra estivesse a um terço da distância em que o evento ocorreu, a intensidade da radiação teria sido nove vezes maior que a gerada na superfície da estrela de nêutrons pelo estrelomoto.
III A ionosfera é opaca para as ondas de rádio referidas no texto.
IV O fato de a camada da ionosfera ter baixado de 18 mil metros para 12 mil metros significa que a sua espessura aumentou pelo bombardeio sofrido pelos raios X.
A quantidade de itens certos é igual a