Para responder a questão, leia o texto abaixo.
A segurança nos atrai na mesma medida que a liberdade nos assusta
Tenho lido matérias que defendem a ideia de que viajar náo e tão fundamental e que os turistas deveriam parar com tanta andança sem sentido. Alguns italianos concordam. "Não venham mais!", têm gritado das janelas os nativos que ainda moram em Veneza, cidade que recentemente foiconsiderada pela Unesco um patrimônio em risco. Não demorará para Veneza ser ocupada so por visitantes, e aí não será mais uma cidade, e sim uma Disney para adultos, uma cenografia.
Ainda que eu concorde que alguns lugares precisam controlar a entrada de tanta gente, como faz Fernando de Noronha, jamais defenderei que viajar é uma banalidade dispensável. Sei que é possÍvel ser muito feliz sem jamais colocar os pés em um aeroporto - não eu.
Por que viajar precisa ser um estado de exceção? Passamos grande parte da vida morando no mesmo endereço, com alguns intervalos de fuga. lmagine o inverso: viajar constantemente, com alguns intervalos de permanência. Eu sei, o ser humano é gregário, precisa manter vínculos emocionais e ter um emprego a fim de ganhar dinheiro para sobreviver, não é prudente se aventurar (palavrinha tentadora, aventura: injustamente associada a algo temporário).
Porém, morar para sempre numa única cidade, em geral a que nascemos, é que parece um desatino. Pense no que o planeta oferece. llhas. Florestas. Desertos. Montanhas. Canyons. Santuários. Templos. Pirâmides. Vulcóes. Savanas. Praias. Ruínas. Aldeias. Caminhos sagrados. Metropoles futuristas. Vilarejos históricos. E pessoas. Pessoas de todas as raças e culturas, pessoas que pensam, comem e agem de forma diferente da nossa. Cartões postais existenciais.
Não consigo chamar de aventureiro aquele que se dedica a conhecer o planeta em sua vasta representaçáo, em vez de comprar uma geladeira, um fogão e formar família. Como eu fiz, e você, provavelmente, também. A gente náo se arrepende, mas, no fundo, sabemos que estamos cumprindo ordens. A sociedade costuma ser intransigente com os nômades.
Não fomos educados para a experiência in loco, para as possibilidades de conexáo com etnias variadas, para uma expansão geográfica que nos transforme de fato em cidadãos do mundo. A segurança nos atrai na mesma medida que a liberdade nos assusta. Compensamos nosso comodismo com livros, que sáo mais baratos que passagens aéreas. E, quando dá, fazemos turismo.
Cada viagem de 10 dias ou de um mês e um jeito de colocar a cabeça para fora da gaiola. Depois, voltamos para casa ainda mais comprometidos com nossas raízes: condicionados ou náo, optamos pelo amor romântico, pela criação de filhos, pelos cuidados com os pais. Confirmar, de tempos em tempos, que existe muito mais do que isso, é nosso ato de bravura. Mas aventura mesmo é ficar.
Autor: Martha Medeiros - GZH (adaptado).
O primeiro período do texto, compreendido entre as linhas 1 e 3, combina diferentes tempos verbais para expressar açoes e estados em diversos pontos temporais. Nesse sentido, analise as partes que seguem:
(1ª parte): Tenho lido e uma locução verbal composta pelo verbo auxiliar tenho (presente do indicativo do verbo ter) e pelo verbo principal lido (particípio passado do verbo ler). Juntos, formam o tempo verbal presente perfeito composto do indicativo. Esse tempo verbal indica uma açáo que começou no passado e que tem relevância ou continuidade no presente.
(2ª parte): é consiste em um verbo no presente do indicativo, e faz parte da oração subordinada que explica a ideia mencionada anteriormente. Expressa uma constatação ou um estado atual em relação à importância de viajar.
(3ª parte): deveriam está no pretérito perfeito do modo subjuntivo, e faz parte da oração subordinada que continua a explicar a ideia das materias. Esse tempo e modo verbal são utilizados para expressar uma açáo hipotética ou não realizada, indicando uma sugestáo ou um conselho no passado que ainda pode ser relevante.
Das partes, pode-se afirmar que: