O trecho a seguir é referência para a questão.
(...) Passava a esponja na parede com movimentos amplos, espalhava de propósito a mancha vermelha, e compreendi que naquela casa eu não teria mais ambiente. Meus pertences couberam numa mala de mão, estrelas no céu, andei em direção ao centro da cidade. Mas bem antes do centro encontrei um hotel de aparência modesta, o nome Zakariás em letras de ferro sobre a porta. Toquei a sineta no balcão, e uma tabela de preços indicava diária de quatro mil forintes por um quarto de solteiro. Calculei que poderia me alojar ali por mais de um mês, pois Kocsis Ferenc insistido em remunerar meu serviço, um cala-boca de duzentos mil forintes. Já ia tocar a sineta de novo quando apareceu um velhinho ajeitando os suspensórios. Pedi chaves moça da recepção que vasculhou uma gaveta, falou yes e disse que eu era aguardado desde a quarta-feira (...)
(Adaptado. BUARQUE, Chico. Budapeste. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.)