Texto para a questão
Um aplicativo (app) que usa inteligência artificial (IA) para criar avatares de pessoas já falecidas tem
gerado polêmica na internet. Chamado de 2Wai, o app permite recriar alguém virtualmente para interações ao
vivo. Por enquanto, está disponível apenas nos Estados Unidos. [...]
Um vídeo que demonstra a tecnologia viralizou no X. Nele, uma mulher grávida aparece conversando
com a própria mãe, que já morreu. A história avança e mostra a avó contando uma história para o bebê e, em
seguida, a criança já crescida usando o app para interagir com ela. [...]
O 2Wai é um aplicativo para criar "HoloAvatars", como a empresa chama os avatares, que não se limitam
a pessoas já falecidas. A startup afirma que é possível gerar um "HoloAvatar" de "personagens", como um
personal trainer, escritor, agente de viagem ou até astrólogo.
Quando é de alguém que já faleceu, ele só pode ser criado se houver um vídeo gravado antes da morte
— com a pessoa falando e se movimentando. A partir dessas imagens, a IA amplia o repertório do "gêmeo
digital", que, segundo o 2Wai, consegue falar como a pessoa real, reconhecer o usuário e lembrar informações
passadas. [...]
Especialista alerta para o risco de dependência e para a "ilusão de realidade" ao usar IAs, especialmente
durante o processo de luto. "A mesma tecnologia que oferece companhia pode gerar confusão entre o real e o
simulado, criar dependência afetiva e, em alguns casos, amplificar a angústia", analisa Mariana Malvezzi,
psicóloga e psicanalista da faculdade ESPM. "Essa ilusão da IA pode minar a autonomia emocional, afastar o
enlutado de rituais do luto e dificultar o movimento de simbolização, que é reconhecer a morte e, aos poucos,
ressignificá-la", completa a especialista.
Um em cada quatro brasileiros se imagina usando inteligência artificial para conversar com familiares já
falecidos, aponta uma pesquisa da ESPM realizada neste mês para o Dia de Finados. O levantamento ouviu
267 participantes que perderam entes queridos nos últimos dois anos.
O uso de IA para "reviver" pessoas falecidas tem se tornado cada vez mais comum. [...] Em outro caso
polêmico, o jornalista Jim Acosta, ex-âncora da CNN norte-americana, "entrevistou" um avatar criado por IA de
Joaquin Oliver, jovem de 17 anos morto no massacre em uma escola de Parkland, na Flórida, em 2018. O
vídeo, publicado no YouTube, mostra Acosta ao lado da versão digital de Joaquin, recriada pelos pais a partir
de uma foto antiga, com voz e movimentos gerados por IA.
Disponível em: https://tinyurl.com/esap4k4u. Acesso em: 9 maio 2026.
I. Em “ele só pode ser criado se houver um vídeo gravado antes da morte”, a palavra em negrito demarca uma condição para a criação do avatar.
II. Em “O uso de IA para ‘reviver’ pessoas falecidas tem se tornado cada vez mais comum”, a expressão em negrito indica uma ação cujo início remonta ao presente, ou seja, à atualidade do aplicativo desenvolvido.
III. No trecho “Essa ilusão da IA pode minar a autonomia emocional [...] e dificultar o movimento de simbolização, que é reconhecer a morte e, aos poucos, ressignificá-la", a expressão em negrito enfatiza a temporalidade gradativa com a qual o luto deve ser encarado.
IV. Nos trechos “O 2Wai é um aplicativo para criar ‘HoloAvatars’, como a empresa chama os avatares” e “A startup afirma que é possível gerar um ‘HoloAvatar’ de ‘personagens’, como um personal trainer, escritor, agente de viagem ou até astrólogo”, o termo em negrito é usado com o mesmo sentido.
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