Antes, vivia na Rua São Francisco, também no Centro Histórico da cidade de Salvador, em um cômodo de três por cinco metros, com Júlia, a mãe, dois irmãos, o marido da mãe, a sogra da mãe e a cunhada. "Éramos oito." Enquanto relembra, Lidiane mostra com gestos a configuração da antiga casa. "Imagine que ali era o fogão, uma pia, ali as camas e vários colchões e urna mesa, que tinha que desarmar pra dormir todo mundo." Agora imagine que esse passado é ainda o presente de milhares de pessoas, vitimadas por um projeto excludente, iniciado na década passada para tornar esse Patrimônio da Humanidade perfeito para turistas, impensável para seus moradores.
Executadas ao longo de 16 anos, essas etapas de "requalificação" do Centro Histórico nunca incluíram a população pobre. No lugar, ocupando apenas o térreo dos prédios, foram colocados restaurantes e lojas, com suas fachadas restauradas e bem pintadas. Ninguém morando. O Pelourinho virou um "shopping a céu aberto".
CORREIA FILHO, João. O avesso do Peiô Rev Brasil. n.26. Disponivel em: <http·/lwvvw.cronologiadourbanismo.ufba.br>. Acesso em: mai 2019. Adaptado.
O fragmento do texto faz uma crítica a um processo urbano denominado e caracterizado por: