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V de Vaidade
As transformações de uma sociedade poderiam ser medidas pelas mudanças na produção do lixo. Cada bairro, cada cidade produz o seu. E se o lixo hoje em dia é tão parecido, é apenas por efeito da globalização. O lixo é objetivo, subjetivo, material e virtual. Nada e ninguém escapa ao lixo. Para falar a língua dos filósofos da moda, podemos dizer que há um devir-lixo, que o lixo é o destino.
O lixo é, afinal, o que jogamos fora, mas não só. É o que lançamos fora por ser indesejado. Ainda que o ato de jogar seja consciente, quantas vezes algo que pensamos ter perdido não foi lançado na lata do lixo inconscientemente? Ora, lixo é tudo o que herdaremos inconscientemente.
No extremo da história da natureza e da história humana, podemos dizer que tudo é lixo. É assim que podemos explicar que tudo é vaidade. A vaidade é a falta de sentido das coisas que julgamos valiosas. É o desvalor essencial que, ao ser percebido, nos ensinaria, acima de tudo, e pela via negativa, a virtude do desapego.
Tentamos nos livrar do pavor da caducidade – do caráter passageiro do que existe – pondo no lixo o que pode escapar ao nosso desejo de significado. O ato de “livrarmo-nos de algo” nos dá a dimensão de nosso medo (esse afeto que usamos para justificar qualquer ato) e de nossa irresponsabilidade. Ora, não jogamos fora apenas os restos, mas tudo o que não nos interessa. No ato de jogar no lixo um copo quebrado, aquele copo que pode machucar uma pessoa que esteja no meio do aterro sanitário onde param nossos despejos, há quem pense em proteger o outro do lado de lá de uma periculosidade intrínseca ao material descartado. Mas há quem não se lembre, há quem não se importe.
O que se joga no lixo e o modo como se joga algo no lixo expõe o que pensamos de um outro, seja uma pessoa, seja a natureza. É uma questão básica de ética. A periculosidade dos pequenos gestos também fala de nós. E o que fala de nós fala de nossa vaidade.
TIBURI, Marcia. V de vaidade. Revista Cult, São Paulo,
ano 18, set. 2015. Disponível em: < http://revistacult.uol.com.br/home/2015/09/v-devaidade/>. Acesso em: 22 set. 2015. (Fragmento adaptado.)
Considerando a tipologia textual, esse artigo foi escrito com a finalidade de
 

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