Serviço de saúde britânico faz a maior greve de sua história
Os profissionais de saúde fazem a maior paralisação da história do famoso Serviço Nacional de Saúde (NHS) do Reino Unido nesta semana, aumentando a pressão sobre o primeiro ministro britânico, Rishi Sunak, para encontrar uma solução para várias disputas ligadas à insatisfação no setor público, em um contexto no qual a inflação g ira em torno de 10%. Enfermeiros e profissionais de ambulâncias têm feito greves separadamente desde o final do ano passado. Ontem, ambas as classes pararam juntas, principalmente na Inglaterra, fazendo desta a maior greve nos 75 anos de história do NHS.
Os cerca de 100 mil enfermeiros mobilizados também farão greve hoje, enquanto os cerca de 100 mil profissionais de ambulâncias têm outra paralisação prevista para sexta-feira. Na quinta-feira, é a vez dos cerca de 4.200 fisioterapeutas. Juntas, as ações tornam esta a semana mais problemática do NHS. “Estamos disponíveis 24 horas por dia, sete dias por semana, estamos quebrando as costas fazendo o trabalho de três pessoas” disse Victoria Busk, uma jovem enfermeira em uma ala de trauma do Hospital Queen Elizabeth em Birmingham, centro da Inglaterra, entre os manifestantes com sobrecarga de trabalho por falta de pessoal. “Amo meu trabalho, fazer a diferença com os pacientes, mas não consigo me imaginar fazendo isso até os 60 anos”. É provável que pelo menos 55 mil consultas sejam adiadas com as greves desta semana, de acordo com cálculos da Bloomberg com base em dados do NHS. De acordo com uma pesquisa recente da YouGov, um terço das enfermeiras e parteiras inglesas do setor público preferiria outra profissão. O sindicato do Royal College of Nursing (RCN) diz que vários aumentos abaixo da inflação desde 2010 fizeram com que os salários dos enfermeiros caíssem 20% em termos reais, a ponto de alguns pularem refeições para alimentar seus filhos. Um em cada quatro hospitais abriu bancos de alimentos para funcionários. A má remuneração contribui para 47 mil cargos vagos de enfermagem, denuncia o sindicato. Num Reino Unido onde a inflação ultrapassa os 10% há meses, a tensão social continua a crescer em todos os setores. Professores, ferroviários e funcionários de vários ministérios realizaram a maior greve do país em mais de 11 anos em 1º de fevereiro. Embora cada setor tenha suas demandas específicas, todos se unem por aumentos salariais.
Apesar do caos causado no país pelas paralisações incessantes, 59% dos britânicos apoiam a greve das enfermeiras, 43% apoiam os professores, e 36%, os ferroviários, segundo pesquisa Public First publi cada pelo site Político na quarta-feira. “O governador do Banco da Inglaterra alertou que, se tentarmos combater a inflação com enormes aumentos salariais, as coisas só vão piorar e a situação das pessoas não vai melhorar”, afirmou o secretário de Saúde britânico, Steve Barclay, em comunicado.
Fonte: Jornal O Globo, 7 de fevereiro de 2023.
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