Texto I
Retorno ao presencial pode estimular
rotatividade ainda maior, aponta pesquisa
O processo de retorno do trabalho remoto
ao regime presencial pode intensificar a já elevada
rotatividade do mercado de trabalho brasileiro, e
isso vale principalmente para as mulheres.
É o que mostra pesquisa feita pela
empresa de recrutamento Robert Half em parceria
com o Insper, que ouviu 1.432 profissionais de
diferentes setores e níveis hierárquicos em
empresas de todo o Brasil entre março e abril.
O levantamento mostra que 34% dos
entrevistados, tanto homens como mulheres, têm
intenção de sair do emprego, mesmo se os atuais
arranjos de home office forem mantidos.
Os dados estão em linha com a já elevada
rotatividade no mercado de trabalho. Números
levantados pela consultoria LCA mostram que
mais de um terço dos trabalhadores com carteira
assinada mudaram de emprego nos últimos 12
meses [...]
É um cenário que mostra a insatisfação
com a volta gradual ao presencial, aponta Mariana
Horno, diretora da Robert Half.
"Os funcionários se acostumaram a ter
flexibilidade no emprego, valorizando a sensação
de bem-estar e saúde mental", afirma. "As pessoas
acabam não entendendo a volta ao presencial,
principalmente quando avaliam que não há perda
de produtividade."
Esse panorama vale especialmente para
as mulheres, segundo o levantamento. Enquanto
66% dos homens afirmaram que iriam querer sair
do emprego se perderem parcialmente o trabalho
remoto, o percentual é de 77% no caso delas.
Quando a pergunta é sobre qual seria a
reação à perda total do trabalho remoto, 66% dos
homens afirmam que teriam intenção de sair do
emprego, contra 81% das mulheres.
"As mulheres sofrem mais com a falta de
flexibilidade. Ainda existe uma sobrecarga
feminina para questões domésticas, como a rotina
com os filhos, além de questões de bem-estar e
autocuidado", diz Horno.
A pesquisa perguntou ainda sobre as
principais perdas enxergadas pelos trabalhadores
em caso de volta total ao trabalho presencial. A
maior parte apontou o equilíbrio entre vida pessoal
e profissional, com 83% das mulheres e 76% dos
homens.
"Quando há um engessamento do modelo,
ou seja, quando a empresa determina que o
presencial aconteça em dias determinados, a
insatisfação é maior. A reação não é somente em
relação à quantidade de dias, mas também à
liberdade de escolha", afirmou a diretora da Robert
Half.
Em seguida, aparece a redução do
estresse, com 81% das mulheres e 72% dos
homens indicando essa como uma perda
importante no caso da volta total ao presencial.
"Em um contexto no qual funções
domésticas e de cuidado seguem recaindo
principalmente sobre as mulheres, a flexibilidade
tem sido fundamental para que elas consigam
equilibrar as múltiplas demandas da vida pessoal
e do trabalho", afirma Tatiana Iwai, professora e
coordenadora do Centro de Estudos em Negócios
do Insper.
Horno aponta que, de um ano e meio para
cá, cresceu a pressão para redução do home office
entre as empresas. "Ainda há muitas empresas
com três dias no escritório e dois em casa, mas a
maior parte das conversas vai no sentido de elevar
esse número para quatro dias presencialmente",
diz.
A diretora afirma que a disposição para
reduzir o home office varia bastante de empresa
para empresa. "Quando há medições mais
precisas, que eventualmente mostrem que a
produtividade não atende ao desejado, a
tendência é que haja uma rigidez maior", avalia.
Fonte:
https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/09/retorno
-ao-presencial-pode-estimular-rotatividade-ainda-maioraponta-pesquisa.shtml. Adaptado.Acesso em
17/09/2025
Nesse trecho, as duas palavras grifadas são, respectivamente, classificadas como: