Soneto da hora final
Será assim, amiga: um certo dia
Estando nós a contemplar o poente(a)
Sentiremos no rosto, de repente
O beijo leve de uma aragem fria.
Tu me olharás silenciosamente
E eu te olharei também, com nostalgia(b)
E partiremos, tontos de poesia
Para a porta de treva aberta em frente.
Ao transpor as fronteiras do Segredo(c)
Eu, calmo, te direi: – Não tenhas medo
E tu, tranquila, me dirás: – Sê forte.
E como dois antigos namorados(d)
Noturnamente tristes e enlaçados
Nós entraremos nos jardins da morte.
No poema, há diversas referências metafóricas à morte, como exemplifica o seguinte verso:
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