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1813867 Ano: 2016
Disciplina: Português
Banca: IMAIS
Orgão: Câm. Osasco-SP
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A adolescência está mais complexa
Estou sempre em contato com pais, avós e educadores formais e recebo deles, pessoalmente ou pela internet, muitas questões, dúvidas e angústias que eles vivem em relação aos filhos, netos e alunos. Nos últimos dias, o tema que predominou foram os adolescentes. Vamos, então, refletir sobre essa fase do desenvolvimento.
Há até pouco tempo, sabíamos com clareza conceituar a adolescência: um período de transformações pessoais, sociais, emocionais, psicológicas e, principalmente, de concepção a respeito de si mesmo e da vida, que resultava em mudanças de comportamento. A puberdade - as alterações físicas dessa etapa - antecedia a adolescência e a precipitava.
E agora? Primeiramente, essa etapa da vida foi prolongada: não termina mais perto dos 20 anos, com a entrada na maturidade adulta. Hoje, podemos considerar a adolescência até mais ou menos os 25 anos, e olhe lá! Seu início também foi antecipado: não depende mais da puberdade, pois pode se iniciar bem antes.
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Essas mudanças significam mais trabalho para os pais e mais dificuldades para os adolescentes. Hoje, os pais querem controlar os filhos, querem desejar por eles, querem dar a eles felicidade etc. Dureza, porque tudo isso resulta em imaturidade, fragilidade e baixa resiliência.
Os adolescentes precisam de tutela mais discreta, que não se transforme em abandono; de espaço de experimentação para descobrir como querem e corno podem ser, sem que sejam julgados ou penalizados por isso. E o melhor espaço que eles teriam para tanto seria a escola. Como ela não tem permitido isso aos seus alunos adolescentes - qualquer coisa que eles façam, a escola corre para contar aos pais -, é claro que eles procuram outros espaços para isso, como o virtual, as festas e baladas etc., o que é muito mais perigoso, porque lá eles não têm nem tutela, nem apoio.
Os adolescentes precisam muito de nossa companhia, de nosso apoio crítico, de nossa compreensão, de nossa amorosidade adulta, de nosso desapego em relação a eles, de nosso acolhimento.
Eles querem conflitar com os pais e professores? Vamos bancar esses conflitos com seriedade e argumentação, sem espanto. Poucos adolescentes defendem a pena de morte, por exemplo, por convicção. É, na maioria das vezes, por oposição.
Nem por isso devemos tratar as questões que eles trazem como bobagens.
Eles ultrapassam todos os limites possíveis? Vamos repactuar a relação com eles, verificar como demos oportunidade para que tenham feito o que fizeram. Sempre há essa possibilidade! Mas vamos, principalmente, entender essa crise corno um pedido de socorro, que eles tem tanta dificuldade em simbolizar.
Essa é a companhia que eles precisam, e que podemos oferecer!
(Rosely Sayão
Folha de S. Paulo, 14/06/2016. Adaptado).
A autora se pergunta se os adolescentes ultrapassam todos os limites possíveis e o que fazer com essa situação.
Assinale a alternativa que, assim como os termos destacados, está corretamente grafada.
 

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