Magna Concursos
1616743 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Foz Iguaçu-PR

Instrução: Todas as questões da prova de Língua Portuguesa referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.


Nossa imaginação precisa da literatura mais do que nunca


  • ___Vamos partir de uma situação que grande parte de nós já vivenciou. Estamos saindo
  • do cinema, depois de termos visto uma adaptação de um livro do qual gostamos muito. Na
  • verdade, até que gostamos do filme também: o sentido foi mantido, a escolha do elenco foi
  • adequada, e a trilha sonora reforçou a camada afetiva da narrativa. ............, então, sentimos
  • que algo está fora do lugar?
  • ___O que sempre falta em um filme sou eu. Parto dessa ideia simples e poderosa, sugerida
  • pelo teórico Wolfgang Iser em um de seus livros, para afirmar que nunca precisamos tanto ler
  • ficção e poesia quanto hoje, ............ nunca precisamos tanto de faíscas que ponham em
  • movimento o mecanismo livre da nossa imaginação. Nenhuma forma de arte ou objeto cultural
  • guarda a potência escondida por aquele monte de palavras impressas na página.
  • ___Essa potência vem, entre outros aspectos, do tanto que a literatura exige de nós, leitores.
  • Não falo do esforço de compreender um texto, nem da atenção que as histórias e poemas exigem
  • de nós – embora sejam incontornáveis também. Penso no tanto que precisamos investir de
  • nós, como sujeitos afetivos e como corpos sensíveis, para que as palavras se tornem um mundo
  • no qual penetramos.
  • ___Somos bombardeados todo dia, o dia inteiro, por informações. Estamos saturados de
  • dados e de interpretações. A literatura – para além do prazer intelectual, inegável – oferece algo
  • diferente. Trata-se de uma energia que o teórico Hans Ulrich Gumbrecht chama de “presença”
  • e que remete a um contato com o mundo que afeta o corpo do indivíduo para além e para
  • aquém do pensamento racional.
  • ___Muitos eventos produzem presença, é claro: jogos e exercícios esportivos, shows de
  • música, encontros com amigos, cerimônias religiosas e relações amorosas e sexuais são
  • exemplos óbvios. ............, então, defender uma prática eminentemente intelectual, como a
  • experiência literária, com o objetivo de “produzir presença”, isto é, de despertar sensações
  • corpóreas e afetos? A resposta está, como já evoquei mais acima, na potência guardada pela
  • ficção e a poesia para disparar ___ imaginação. Mas o que é, afinal, a imaginação, essa noção
  • tão corriqueira e sobre a qual refletimos tão pouco?
  • ___Proponho pensar a imaginação como um espaço de liberdade ilimitada, no qual, a partir
  • de estímulos do mundo exterior, somos confrontados (mas também despertados) a responder
  • com memórias, sentimentos, crenças e conhecimentos para forjar, em última instância, aquilo
  • que faz de cada um de nós diferente dos demais. A leitura de textos literários é uma forma
  • privilegiada de disparar esse mecanismo imenso, ........... demanda de nós todas essas reações
  • de modo ininterrupto, exige que nosso corpo esteja ele próprio presente no espaço ficcional com
  • que nos deparamos, sob pena de não existir espaço ficcional algum.
  • ___Mais ainda, a experiência literária nos dá a chance de vivenciarmos possibilidades que, no
  • cotidiano, estão fechadas ___ nós: de explorarmos essas possibilidades como se estivéssemos,
  • de fato, presentes. E a imaginação é o palco em que a vivência dessas possibilidades é encenada,
  • por meio do jogo entre identificações e rejeições.
  • ___Resta pensar ............... é tão importante encenar possibilidades. Em primeiro lugar,
  • como o escritor Bernardo Carvalho destacou recentemente, estamos vivendo uma confusão
  • generalizada entre realidade e representação artística, em que esta última vem sofrendo
  • sanções violentas, por se haver perdido a medida da diferença entre o real e a retomada desse
  • real em obras artísticas. Carvalho inicia seu texto afirmando, muito acertadamente, que rejeitar
  • ou proibir as representações ficcionais do horror que há no mundo é sintoma de um desespero
  • – o desespero causado pela impossibilidade de eliminarmos o horror real. Além disso, diz ele
  • mais adiante, recusar a legitimidade ou a existência de determinadas obras de arte denota o
  • temor ___ ambivalência dos nossos próprios desejos, sentimentos e certezas.
  • ___Aprendemos desde cedo que, para que haja vida em sociedade, não podemos pôr em
  • prática, na vida cotidiana, toda essa ambivalência. Um dos poderes da obra de arte é,
  • precisamente, o de oferecer uma experiência cuja própria premissa é a existência de paradoxos
  • – afinal, a ficção cria um mundo que, fora dela, não existe, mas no qual precisamos acreditar.
  • A imaginação entra em cena para ampliar as contradições, sem, contudo, tornar a experiência
  • incoerente: estamos, agora, no domínio da associação livre e espontânea entre o que lemos, o
  • que lembramos, o que sabemos e sentimos. Idealmente, ao lermos uma obra literária, não
  • caímos na confusão entre a realidade e a representação dela, e sim nos conectamos a uma
  • realidade cotidianamente inacessível, por meio da interação entre o que o texto propõe e a
  • nossa imaginação. Nesta, acessamos aqueles que somos, mas também aqueles que poderíamos
  • ser – maravilhosos ou terríveis.

  • (Fonte: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/02/22/opinion/1519332813_987510.html - texto adaptado)

    Considerando o uso do ‘porquê’, assinale a alternativa que completa, correta e respectivamente, as lacunas pontilhadas das linhas 04, 08, 23, 32 e 39.

     

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