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lobo em pele de cordeiro.
Muitas vezes há alguma confusão entre a pessoa de fato bondosa e aquela que recorre à manipulação disfarçada de simpatia e altruísmo para conseguir o que pretende. A diferença, porém, é clara: enquanto os realmente bons usam o alto poder de empatia para colocar-se no lugar do outro, sensibilizando-se com seu sofrimento, sem tirar vantagem dessa capacidade, os Ubonzinhos" geralmente primam pela bajulação e cortesia excessiva, que beiram o servilismo, e, não raro, pelo constante enaltecimento das próprias qualidades. Nesse último caso, como a pessoa não visa realmente ao bem alheio, mas o próprio, mais cedo ou mais tarde "mandará a conta" por sua dedicação de maneira explicita ou dissimulada. fazendo chantagem emocional. por exemplo - ainda que não tenha consciência de que faz isso.
Não raro, o bonzinho cultiva intimamente a fantasia de onipotência: acredita ser tão poderoso que se expressasse uma crftica poderia simplesmente aniquilar o opositor. Em sua arrogância, "poupa" o outro e recorre aos recursos que aprendeu a manejar para seduzir o interlocutor. Há, porém, o outro lado dessa moeda: a pessoa tem tanta certeza da própria fragilidade que termina por se acovardar. Acreditando-se muito vulnerável, evita a qualquer preço ser alvo de críticas (que considera ataques profundamente destrutivos). O comportamento é o mesmo - voz aveludada, muitos sorrisos, palavras elogiosas e, dependendo da situação, olhar desprotegido -, mas a crença que o embasa é outra.
Nesses dois funcionamentos (que ocasionalmente se alternam), a pessoa tende a se colocar repetidamente em situações nas quais se sente explorada. E entra em um circulo vicioso para obter o que deseja. Aparentemente inofensivas, na ânsia desesperada de esconder a própria agressividade e/ou fraqueza, essas pessoas podem trazer grande infelicidade para si mesmas e para aqueles com quem convivem. E, eventualmente, a generosidade e o altruísmo correm o risco de ficar sufocados em meio a jogos de sedução e tentativas de obter aprovação.
Na clínica psicanalítica, pacientes com esse perfil apresentam avanços quando começam a se mostrar capazes de fazer pequenas críticas (não raro disfarçadas) ao próprio analista ou ao setting. Cabe então ao profissional suportar os ataques por meio da continuidade do trabalho, assegurando ao paciente que sua suposta capacidade de aniquilação não é tão grande quanto supunha. já que o psicanalista sobrevive a ela. Se por um lado essa constatação é um golpe na arrogância narcísica do paciente, por outro é um alivio capaz de abrir espaço para comportamentos menos estereotipados, elaborações e amadurecimento.
Fonte: Mente Cérebro. Ed. Outubro, 2012. p. 48.
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