Texto
O que eu trouxe na bagagem

Já estava chegando o final do ano e a gente teria que voltar para o Brasil. Não seria fácil dizer adeus aos meus novos amigos, principalmente à Suzana.
As despedidas começaram um mês antes do nosso retorno ao Brasil. A Suzana e a mãe dela foram jantar em casa e eu resolvi fazer uma surpresa. Pedi ajuda à Maria:
- Maria, você me ajuda a fazer um prato brasileiro chamado xinxim de galinha?
- Se você souber a receita, eu ajudo.
- Eu peguei na internet, mas não sei se vai dar certo...
A Maria concordou e fomos juntas para a cozinha. A receita incluía camarões, galinha, sal, pimenta, vinagre, azeite-de-dendê, cheiro-verde e coentro. A Maria logo pegou o espírito do xinxim. Na verdade, ela parecia uma verdadeira quituteira baiana.
O jantar foi maravilhoso! A mãe da Suzana percebeu que escolhi um prato brasileiro que lembrava a moamba de galinha, que eu havia comido na casa dela. Ela comentou:
- Esse prato mostra a união de todos os angolanos e brasileiros, no passado e no presente! Um brinde a essa união.
[...]
Na chegada ao Rio de Janeiro, fomos recebidos pelo meu pai e pela minha avó.
[...]
No primeiro dia de aula, fui o centro das atenções. Todos queriam saber das novidades da África, inclusive a professora:
- Conte para a gente como foi sua experiência na África, Bia.
Eu falei meio tímida:
- Na verdade, percebi que há várias áfricas. Eu conheci apenas algumas delas. No Egito, vi as pirâmides e a influência árabe. No Quênia, conheci os animais selvagens e as lutas contra os ingleses.
- E de Angola, o que você achou? – a professora perguntou.
Respondi decidida:
- Em Angola, eu encontrei algumas das raízes do Brasil e dos meus antepassados, que vieram como escravos para nosso país. Conheci um pouco da língua, da religião, das danças e dos alimentos que eles trouxeram para cá.
Depois de falar isso, entendi o que havia levado minha mãe a querer viver na África. E senti orgulho, muito orgulho de ser negra, descendente de africanos. Um orgulho que nunca havia sentido antes..
(DREGUER, Ricardo. Bia na África. Editora Moderna, São Paulo, 2007. Fragmento adaptado)
Leia as frases abaixo e, em seguida, identifique a alternativa correta, considerando a distinção de um fato e de uma opinião relativa a cada passagem.
I- “Já estava chegando o final do ano e a gente teria que voltar para o Brasil.” → fato
II- “A Suzana e a mãe dela foram jantar em casa e eu resolvi fazer uma surpresa.” → opinião
III- “A Maria concordou e fomos juntas para a cozinha.” → fato
IV- “O jantar foi maravilhoso!” → opinião
V- “Na chegada ao Rio de Janeiro, fomos recebidos pelo meu pai e pela minha avó.” → opinião
VI- “E senti orgulho, muito orgulho de ser negra, descendente de africanos” → fato