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1989900 Ano: 2020
Disciplina: Português
Banca: ASSEGE
Orgão: Pref. Serra Preta-BA

Leia o texto abaixo, que é uma canção de Caetano Veloso, para responder as questões de 01 a 05


O Quereres

Caetano Veloso

Onde queres revólver, sou coqueiro

E onde queres dinheiro, sou paixão

Onde queres descanso, sou desejo

E onde sou só desejo, queres não

E onde não queres nada, nada falta

E onde voas bem alto, eu sou o chão

E onde pisas o chão, minha alma salta

E ganha liberdade na amplidão


Onde queres família, sou maluco

E onde queres romântico, burguês

Onde queres Leblon, sou Pernambuco

E onde queres eunuco, garanhão

Onde queres o sim e o não, talvez

E onde vês, eu não vislumbro razão

Onde o queres o lobo, eu sou o irmão

E onde queres cowboy, eu sou chinês


Ah! Bruta flor do querer

Ah! Bruta flor, bruta flor


Onde queres o ato, eu sou o espírito

E onde queres ternura, eu sou tesão

Onde queres o livre, decassílabo

E onde buscas o anjo, sou mulher

Onde queres prazer, sou o que dói

E onde queres tortura, mansidão

Onde queres um lar, revolução

E onde queres bandido, sou herói


Eu queria querer-te amar o amor

Construir-nos dulcíssima prisão

Encontrar a mais justa adequação

Tudo métrica e rima e nunca dor

Mas a vida é real e é de viés

E vê só que cilada o amor me armou

Eu te quero (e não queres) como sou

Não te quero (e não queres) como és


Onde queres comício, flipper-vídeo

E onde queres romance, rock'n roll

Onde queres a lua, eu sou o sol

E onde a pura natura, o inseticídio

Onde queres mistério, eu sou a luz

E onde queres um canto, o mundo inteiro

Onde queres quaresma, fevereiro

E onde queres coqueiro, eu sou obus


O quereres estares sempre a fim

Do que em mim é de mim tão desigual

Faz-me querer-te bem, querer-te mal

Bem a ti, mal ao quereres assim

Infinitivamente pessoal

E eu querendo querer-te sem ter fim

E, querendo-te, aprender o total

Do querer que há, e do que não há em mim


VELOSO, Caetano. Velô. Polygram, 1984. Faixa 7.

Analise as proposições abaixo como verdadeiras (V) ou falsas (F).

( ) No título da canção “O quereres”, o poeta utiliza o recurso semântico-sintático de substantivar o verbo querer por meio de um determinante.

( ) No aspecto morfossintático, no título, a forma verbal do infinitivo é flexionada, quereres, e a ela se combina extravagantemente um artigo indefinido no singular.

( ) Vê-se, pois, que o que dá nome ao texto é um sintagma nominal que provoca estranheza, já que é composto de um determinante no singular e um verbo substantivado no plural, o que pode sugerir o refluxo à forma verbal flexionada de segunda pessoa do singular, quereres, por meio da evocação de um tu elíptico entre ambos.

( ) Percebe-se que a significação nominal é mais viável devido à conexão sintática com o determinante; por outro lado, poder-se-ia conjecturar a presença de um pronome tu subentendido, supostamente pouco provável em tal construção.

( ) Verifica-se a intenção do poeta em provocar a ambiguidade. O autor manipula com habilidade o estranhamento ao relacionar a expressão “O quereres” à infinitivamente pessoal no verso 47, fazendo referência literal a um dado gramatical: denota que o modo infinitivo pode, além do verbo querer, produzir uma derivação imprópria e ser tratado como advérbio, por meio da infiltração da pessoalidade de seu uso.

A sequência correta de cima para baixo é :

 

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