Trompas de Falópio estão out, tubas uterinas, in
Foi há pouco mais de dez anos. De repente, médicos de dezesseis países reuniram-se em São Paulo e anunciaram que, depois de insanos estudos, 6 mil partes do corpo humano tinham sido rebatizadas com novos nomes oficiais. E o resultado é que nunca mais tivemos dor de ouvido. Só dor de orelhas.
Eles descobriram que, por uma série de motivos – não me pergunte quais –, muitos dos nomes antigos já não serviam. E foram bem claros: só os nomes estavam mudando, mas as funções continuavam as mesmas. Ah, bom! A velha orelha, portanto, continuava a ser orelha, própria para levar um puxão ou carregar um brinco – mas teria de ser chamada de orelha externa. E o ouvido, subitamente evaporado dos dicionários médicos, passava a ser orelha interna.
Outro que dançou nessa revolução da nomenclatura foi o cotovelo, que, coitado, foi rebatizado como cúbito. Donde, no caso de alguma namorada o ter mandado passear nos últimos dez anos, você não teve dor de cotovelo, mas dor de cúbito. Só que, em alguns casos de mudança de nome, os cientistas tiveram que fazer um ajuste, e este foi um deles – porque já havia no braço um osso chamado cúbito. Pois deixou de chamar-se. O antigo cúbito passou a chamar-se ulna, a fim de liberar espaço para o novo cúbito, que aposentou o cotovelo.
(Ruy Castro. O leitor Apaixonado: prazeres à luz do abajur.
São Paulo: Companhia das letras, 2009. Excerto adaptado)
Outro que dançou nessa revolução da nomenclatura foi o cotovelo, que, coitado, foi rebatizado como cúbito. Donde, no caso de alguma namorada o ter mandado passear nos últimos dez anos, você não teve dor de cotovelo, mas dor de cúbito. Só que, em alguns casos de mudança de nome, os cientistas tiveram que fazer um ajuste, e este foi um deles...
No contexto, a expressão destacada na frase – Só que, em alguns casos de mudança de nome... – introduz uma oração cujo sentido é de