Magna Concursos
56533 Ano: 2007
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Salvador
Orgão: Col.Mil. Salvador
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TEXTO 1

A mãe da menina e a menina da mãe

Eu sou uma menina de sete anos de idade. Eu moro numa casa grande, de dois andares. Adoro subir e descer a escada. Meus irmãos acham que eu sou boba de gostar tanto dessa escada. Mas eu gosto e pronto. Uma das brincadeiras que eu faço é pegar a colcha da minha cama e transformar em capa. Aí desço a escada imaginando que eu sou uma rainha.

Já contei que eu tenho irmãos. São dois. Na minha casa moram o meu pai e a minha avó também.

Fazia tempo que eu olhava pra minha mãe e não entendia por que ela era tão nervosa. Ela estava sempre reclamando que cansa ser donade- casa. E eu adoro brincar de casinha! Adoro comprar coisas também. Eu não entendia por que ela vinha do supermercado quase chorando de raiva e cansaço.

Minha mãe resmungava, também, de ter de cuidar de três filhos.

— Como vocês me dão trabalho! — ela dizia.

Às vezes ela dizia que tinha CINCO filhos, que meu pai e minha avó também eram filhos dela, e davam o mesmo trabalho.

Engraçado, eu adorava tomar conta das minhas bonecas.

“Eu podia ter vinte e sete filhos!”, eu pensava.

Então, um dia, eu fiz a primeira descoberta: tudo o que eu faço de brincadeira, minha mãe tem de fazer de verdade. Quando canso de trocar a roupa e dar comidinha pras minhas bonecas, guardo no armário. Já pensou se minha mãe não quisesse mais brincar e me enfiasse no guarda-roupa?

Eu contei a minha descoberta pra ela, que me olhou espantada e disse:

— Foi você mesma que teve esta idéia?

Olha só como os adultos são! Eles imaginam que criança só pensa em gatinhos e bonecas e gangorras e video games e panteras cor-de-rosa!

— É claro que fui eu. E não é verdade?

— Não — respondeu minha mãe —, quer dizer, mais ou menos. Eu fico cansada, mas adoro ser mãe de vocês três... cinco. E eu reclamo por reclamar.

Ela me disse pra parar de pensar nisso tudo, pra esquecer, era bobagem. Quando eu crescesse, ia entender. E completou:

— Vai brincar, menina!

Acontece que eu não queria entender só quando eu crescesse. E continuei pensando.

Então eu comecei a procurar pela casa alguma coisa que não sabia bem o que era. Mas que sabia que existia, e que ia me ajudar a entender aquela coisa que eu sentia agora, toda vez que olhava pra minha mãe.

Eu abri o guarda-roupa dela e mexi em todas as roupas. E continuei mexendo e remexendo.

Foi então que achei umas fotografias amareladas numa caixa. Tinha umas de minha avó com a cara lisinha, meu pai de uniforme, minha mãe de noiva... aí achei umas ainda mais antigas.

Numa delas, havia uma menina muito parecida comigo.(a) Mas o vestido era compridão, o sapato engraçado.

E esta foi a segunda descoberta: minha mãe já tinha sido criança antes!(b) É claro que eu sabia que ia crescer e casar e ter filhos. Mas eu nunca tinha pensado que a minha mãe tinha sido do meu tamanho.(c) E brincado de casinha!

Nesse dia, de noite, eu fiquei olhando pra minha mãe enquanto ela assistia televisão.

Estava passando um filme engraçado que depois ficou triste.

Eu vi ela rir e quase chorar. Então, eu fiz a maior descoberta de todas: aquela menina de vestido compridão e sapato engraçado ainda existia. E morava lá dentro da minha mãe.

(Flávio de Souza, “Quem conta um conto”, vol. 2, FTD, São Paulo, 2001.)

TEXTO 2

No fundo de uma caixinha

Cheguei da escola e vi a porta do quarto aberta, a porta do armário aberta, a gaveta aberta, e minha mãe sentada no chão, descalça, toda despenteada, com uma caixa fechada na mão. Dei um beijo nela e olhei para a caixa. A minha mãe abriu a caixa e tirou de dentro, bem lá do fundo, um envelope de papel pardo, velho e meio amassado.

- Que é que tem aí dentro, mãe?

- Nem lembro mais, minha filha. Vamos ver.

- Deve ser muita coisa, que o envelope está bem gordinho.

E era mesmo.Um monte de retratos. De repente eu vi um que era a coisa mais fofa que você puder imaginar. Uma menininha linda, de cabelo todo cacheado.(d) Vestido claro cheio de fitas e rendas, segurando numa das mãos uma boneca de chapéu e na outra uma espécie de pneu de bicicleta soltinho, sem bicicleta, nem raio, nem pedal, sei lá, uma coisa parecida com um bambolê de metal.

- Ah, mãe, me dá essa bonequinha...(e)

- Não é boneca, minha filha, é um retrato da vovó Beatriz.

- Minha bisavó Beatriz...

Fiquei olhando para o retrato e logo vi que não podia chamar de bisavó Beatriz aquela menina fofa com jeito de boneca. Não tinha cara nenhuma de bisavó, vê lá... Dava vontade de brincar com ela.

(Ana Maria Machado – O texto acima é um trecho adaptado da novela Bisa Bia, Bisa Bel, o volume 3

/da coleção Literatura em minha casa, publicada pela Editora Moderna, São Paulo, 2001.)

Observe a tira abaixo, do livro Toda Mafalda, de Quino:

Enunciado 3666003-1

Nesta tira, o que leva a personagem Mafalda a fazer a pergunta registrada no último quadrinho é uma constatação feita pela personagem de um dos textos lidos.

Trata-se do

 

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