Mancha
Na escada a mancha vermelha
que gerações sequentes em vão
tentam tirar.
Mancha em casamento com a madeira,
subiu da raiz ou foi o vento
que a imprimiu no tronco, selo do ar.
E virou mancha de sangue
de escravo torturado — por que antigo
dono da terra? Como apurar?
Lava que lava, raspa que raspa e raspa,
nunca há de sumir
este sangue embutido no degrau.
Carlos Drummond de Andrade. Mancha. In:
Carlos Drummond de Andrade – poesia e prosa.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1983, p. 561.
Julgue o item a seguir relativos ao poema Mancha, de Carlos Drummond de Andrade.
No poema, o sentido comum da mancha vermelha na madeira é, primeiramente, associado a outro sentido — o da marca de sangue — para se atingir o sentido maior de algo que, como a escravidão, mancha a história brasileira.