Magna Concursos
3910386 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: FUMARC
Orgão: Pref. Japaraíba-MG

Para a questão, leia o texto a seguir: 


Autenticidade e influência

Eu nunca tinha ouvido falar da América até meus pais me dizerem que estávamos nos mudando para lá. Meu mundo era casa, família, escola, passeios para as pirâmides, férias em Alexandria. Isso era o máximo que eu podia imaginar. Como muitas crianças, minha compreensão de lugar estava atrelada ao que eu podia ver e para onde eu podia ir. O avião que me levou à América me obrigou a redesenhar meu mapa, a reconhecer imediata e abruptamente que as fronteiras do mundo eram muito maiores do que havia experimentado. Quando criança, nunca poderia imaginar que teria família e amigos em tantos países.

Hoje, existe ainda um muro entre os lados grego e turco de Chipre e Israel está construindo um muro ao longo da Cisjordânia. Esses muros marcam nossa história, criando divisões que limitam nossa visão. Embora politicamente motivados, eles também criam fronteiras culturais.

Como uma imigrante que chegou aqui quando criança, faço parte do que Rúben Rumbaut chamou de geração “1.5” (citado em Firmat, 1994, p. 4). Emigrando ainda crianças, essa geração está situada entre os que emigram como adultos e os que nascem na América. A questão da autenticidade atormenta muitos de nós, que não conseguimos nos definir com um único termo. Tenho observado o conflito de alguns de meus alunos com essas mesmas questões enquanto tentam entender como sangue, localização e língua se tornam marcas de identidade. [...] “Você é mais chinês se crescer em Chinatown e frequentar uma escola chinesa do que se crescer nos subúrbios?”. Nossa nação faz perguntas semelhantes à medida que a homogeneidade e a heterogeneidade continuam a se confrontar sob a bandeira da identidade nacional.

Nossa filha Yasmine rejeita o modo como a rotulam quando dizem que ela é metade afro-americana e metade egípcia. “Como você pode ser metade de qualquer coisa?”, pergunta retoricamente. Ela reivindica uma identidade feita de dois inteiros, para que possa ser ao mesmo tempo completamente egípcia e completamente afro-americana. Essa questão do sangue e da identidade tem atormentado os Estados Unidos desde sempre. Para que fosse mantida uma distinção nítida entre negros e brancos, o que era essencial para a escravidão, mesmo a mínima quantidade de sangue negro significava que alguém era negro e, portanto, poderia legalmente ser tratado como inferior. Hoje, para reivindicar oficialmente uma identidade nativo-americana, é preciso provar que se tem um certo “grau de sangue indígena”. Parece que podemos nos dividir até não se identificar mais nada. A matemática de Yasmine faz mais sentido: cada parte de uma pessoa é igual a um todo.

(Fonte: KALDAS, Pauline. Cartas do Cairo. Tradução Priscila Campello.

Belo Horizonte [MG]: Fino Traço, 2023.)

Neste texto predominam os tipos textuais:

 

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