Depois de contarmos uns para os outros como havia sido a
semana, o garçom veio e perguntou o que queríamos. Todos
nós fizemos nossos pedidos. O papo estava ótimo, muitas
risadas e a cerveja também estava deliciosa. Foi quando Luíza
disse para mim e para o Paulo.
“−Posso contar uma piada?”¬¬
“−Claro que pode!”, falamos nós.
“−É uma piada racista”, disse Luíza.
“−Prefiro que não conte”, eu disse.
Paulo somente observava.
“−É só uma piada”, disse ela.
“−Como falei prefiro que não conte”, eu disse novamente.
“−A piada é rapidinha”, ela insistiu.
“− OK! Você pode contar a piada, e eu saio da mesa e,
quando você terminar, você me chama e eu volto!”. Então
levantei da cadeira.
Paulo somente observava.
Aparecida de Jesus Ferreira. Racismo no Brasil? É coisa da sua cabeça:
Histórias de racismo e empoderamento no ambiente familiar, escolar e
nas relações sociais.