TEXTO4
"Para reportar-me àqueles que pela sua própria virtude e não pela sorte se tornarem príncipes, digo que
os maiores são Moisés, Ciro, Rômulo, Teseu e outros tais. Se bem que de Moisés não se deva cogitar
por ter sido ele mero executor daquilo que lhe era ordenado por Deus, contudo deve ser admirado
somente por aquela graça que o tornava digno de conversar com o Senhor. Mas consideremos Ciro e
os outros que conquistaram ou fundaram reinos: achareis a todos admiráveis. E se forem consideradas
suas ações e ordens particulares, estas parecerão não discrepantes daquelas de Moisés que teve tão
grande preceptor. E, examinando as ações e a vida dos mesmos, não se vê que eles tivessem algo de
sorte senão a ocasião, que lhes forneceu meios para poder adaptar as coisas da forma que melhor lhes
aprouve; e, sem aquela oportunidade, o seu valor pessoal ter-se-ia apagado e sem essa virtude a
ocasião teria surgido em vão."
(Maquiavel, Nicolau. O Príncipe. Capítulo VI. Adaptado.
Disponível em: https://www.ebooksbrasil.org/adobeebook/principe.pdf. Data do acesso: 03/11/2025).
I. A tese defendida pelo autor é a de que verdadeiro mérito político depende mais da sorte que da virtude pessoal.
II. Utiliza como argumento exemplos de líderes históricos que se destacaram por sua capacidade de ação.
III. Ciro, Rômulo e Teseu fundaram reinos, não pela sorte, mas porque souberam aproveitar a ocasião.
IV. A argumentação do texto é construída por analogia.