Foram encontradas 40 questões.
Leia o texto para responder a questão.
Começou com Alice
O objeto veio embrulhado num papel verde estampado com motivos infantis. Muito justo. Era um presente de aniversário para uma criança que fazia cinco anos.
O objeto era um livro. O garoto o desembrulhou e contemplou aquele volume.
O título, na capa, ele leu com facilidade: Alice no país das maravilhas. Sentou-se, cruzou as pernas e abriu o livro na página 11, onde começava a história – e nunca mais foi o mesmo.
Já se passaram mais de cinquenta anos, mas posso manusear, folhear e até reler esse livro. Para dizer a verdade, ele está à minha frente nesse momento.
Sim, antes dos cinco anos, eu já conseguia ler. Aprendera meio sozinho, sentado diariamente no colo de minha mãe enquanto, rindo muito, ela lia para si mesma – mas em voz alta a meu pedido. De tanto ouvir o som e o significado daqueles símbolos impressos no jornal enquanto olhava para eles, descobri com naturalidade como funcionavam – as letras formavam sílabas, as sílabas formavam palavras, as palavras formavam ideias. A partir dali, passei a aplicar o processo às outras letras impressas que via pela frente – em cartazes de cinema, anúncios no bonde, tampa de lata de marmelada – e saí lendo tudo que podia. E escrevendo também, porque era fácil copiar os símbolos, criando minhas próprias palavras. Dias depois, descobri a máquina de escrever do meu pai. E, com isso, aprendi a ler, a escrever e a escrever à maquina quase ao mesmo tempo, antes dos cinco anos.
A vida não é mais a mesma depois que se penetra no reino das palavras. Na verdade, não me recordo de nenhum dia em que não estivesse cercado por elas. Meus pais não liam livros, mas eram grandes consumidores de jornais. Detalhe: depois de lidos, jornais e revistas raramente iam para o lixo. As pilhas se acumulavam e atravessavam os anos. Os exemplares com as catástrofes históricas eram guardados para sempre. Não se jogavam fora as palavras.
Em pouco tempo, decidi que, no futuro, seria jornalista – que viveria das e entre as palavras. Ao contrário de outros garotos de minha geração, nunca pensei em ser médico, engenheiro ou advogado, nem mesmo astronauta. O importante eram as palavras.
Bem, aconteceu que, em tempo hábil, me tornei jornalista, e as palavras têm me sustentado até hoje.
(Ruy Castro. O leitor Apaixonado: prazeres à luz do abajur. Prólogo. São Paulo: Companhia das letras, 2009. Excerto adaptado)
Considere o seguinte trecho redigido a partir das ideias presentes no texto:
Após o primeiro contato com os livros, em pouco tempo, o narrador, além de ler, aprendera também a escrever. Dali alguns meses, já estava totalmente decidido em relação profissão que viria a desempenhar futuramente, que não correspondia carreira de médico ou de engenheiro, como era bastante comum época.
De acordo com a norma-padrão da língua, as lacunas do texto devem ser preenchidas, respectivamente, com:
Provas
Leia o texto para responder a questão.
Começou com Alice
O objeto veio embrulhado num papel verde estampado com motivos infantis. Muito justo. Era um presente de aniversário para uma criança que fazia cinco anos.
O objeto era um livro. O garoto o desembrulhou e contemplou aquele volume.
O título, na capa, ele leu com facilidade: Alice no país das maravilhas. Sentou-se, cruzou as pernas e abriu o livro na página 11, onde começava a história – e nunca mais foi o mesmo.
Já se passaram mais de cinquenta anos, mas posso manusear, folhear e até reler esse livro. Para dizer a verdade, ele está à minha frente nesse momento.
Sim, antes dos cinco anos, eu já conseguia ler. Aprendera meio sozinho, sentado diariamente no colo de minha mãe enquanto, rindo muito, ela lia para si mesma – mas em voz alta a meu pedido. De tanto ouvir o som e o significado daqueles símbolos impressos no jornal enquanto olhava para eles, descobri com naturalidade como funcionavam – as letras formavam sílabas, as sílabas formavam palavras, as palavras formavam ideias. A partir dali, passei a aplicar o processo às outras letras impressas que via pela frente – em cartazes de cinema, anúncios no bonde, tampa de lata de marmelada – e saí lendo tudo que podia. E escrevendo também, porque era fácil copiar os símbolos, criando minhas próprias palavras. Dias depois, descobri a máquina de escrever do meu pai. E, com isso, aprendi a ler, a escrever e a escrever à maquina quase ao mesmo tempo, antes dos cinco anos.
A vida não é mais a mesma depois que se penetra no reino das palavras. Na verdade, não me recordo de nenhum dia em que não estivesse cercado por elas. Meus pais não liam livros, mas eram grandes consumidores de jornais. Detalhe: depois de lidos, jornais e revistas raramente iam para o lixo. As pilhas se acumulavam e atravessavam os anos. Os exemplares com as catástrofes históricas eram guardados para sempre. Não se jogavam fora as palavras.
Em pouco tempo, decidi que, no futuro, seria jornalista – que viveria das e entre as palavras. Ao contrário de outros garotos de minha geração, nunca pensei em ser médico, engenheiro ou advogado, nem mesmo astronauta. O importante eram as palavras.
Bem, aconteceu que, em tempo hábil, me tornei jornalista, e as palavras têm me sustentado até hoje.
(Ruy Castro. O leitor Apaixonado: prazeres à luz do abajur. Prólogo. São Paulo: Companhia das letras, 2009. Excerto adaptado)
Assinale a alternativa em que a alteração da posição do pronome em relação ao verbo, conforme indicada nos colchetes, está em conformidade com a norma-padrão da língua.
Provas
Leia o texto para responder a questão.
Começou com Alice
O objeto veio embrulhado num papel verde estampado com motivos infantis. Muito justo. Era um presente de aniversário para uma criança que fazia cinco anos.
O objeto era um livro. O garoto o desembrulhou e contemplou aquele volume.
O título, na capa, ele leu com facilidade: Alice no país das maravilhas. Sentou-se, cruzou as pernas e abriu o livro na página 11, onde começava a história – e nunca mais foi o mesmo.
Já se passaram mais de cinquenta anos, mas posso manusear, folhear e até reler esse livro. Para dizer a verdade, ele está à minha frente nesse momento.
Sim, antes dos cinco anos, eu já conseguia ler. Aprendera meio sozinho, sentado diariamente no colo de minha mãe enquanto, rindo muito, ela lia para si mesma – mas em voz alta a meu pedido. De tanto ouvir o som e o significado daqueles símbolos impressos no jornal enquanto olhava para eles, descobri com naturalidade como funcionavam – as letras formavam sílabas, as sílabas formavam palavras, as palavras formavam ideias. A partir dali, passei a aplicar o processo às outras letras impressas que via pela frente – em cartazes de cinema, anúncios no bonde, tampa de lata de marmelada – e saí lendo tudo que podia. E escrevendo também, porque era fácil copiar os símbolos, criando minhas próprias palavras. Dias depois, descobri a máquina de escrever do meu pai. E, com isso, aprendi a ler, a escrever e a escrever à maquina quase ao mesmo tempo, antes dos cinco anos.
A vida não é mais a mesma depois que se penetra no reino das palavras. Na verdade, não me recordo de nenhum dia em que não estivesse cercado por elas. Meus pais não liam livros, mas eram grandes consumidores de jornais. Detalhe: depois de lidos, jornais e revistas raramente iam para o lixo. As pilhas se acumulavam e atravessavam os anos. Os exemplares com as catástrofes históricas eram guardados para sempre. Não se jogavam fora as palavras.
Em pouco tempo, decidi que, no futuro, seria jornalista – que viveria das e entre as palavras. Ao contrário de outros garotos de minha geração, nunca pensei em ser médico, engenheiro ou advogado, nem mesmo astronauta. O importante eram as palavras.
Bem, aconteceu que, em tempo hábil, me tornei jornalista, e as palavras têm me sustentado até hoje.
(Ruy Castro. O leitor Apaixonado: prazeres à luz do abajur. Prólogo. São Paulo: Companhia das letras, 2009. Excerto adaptado)
A noção expressa pelo termo destacado na frase do 4º parágrafo – Para dizer a verdade, ele está à minha frente nesse momento. – também pode ser corretamente identificada no termo destacado em:
Provas
Leia o texto para responder a questão.
Começou com Alice
O objeto veio embrulhado num papel verde estampado com motivos infantis. Muito justo. Era um presente de aniversário para uma criança que fazia cinco anos.
O objeto era um livro. O garoto o desembrulhou e contemplou aquele volume.
O título, na capa, ele leu com facilidade: Alice no país das maravilhas. Sentou-se, cruzou as pernas e abriu o livro na página 11, onde começava a história – e nunca mais foi o mesmo.
Já se passaram mais de cinquenta anos, mas posso manusear, folhear e até reler esse livro. Para dizer a verdade, ele está à minha frente nesse momento.
Sim, antes dos cinco anos, eu já conseguia ler. Aprendera meio sozinho, sentado diariamente no colo de minha mãe enquanto, rindo muito, ela lia para si mesma – mas em voz alta a meu pedido. De tanto ouvir o som e o significado daqueles símbolos impressos no jornal enquanto olhava para eles, descobri com naturalidade como funcionavam – as letras formavam sílabas, as sílabas formavam palavras, as palavras formavam ideias. A partir dali, passei a aplicar o processo às outras letras impressas que via pela frente – em cartazes de cinema, anúncios no bonde, tampa de lata de marmelada – e saí lendo tudo que podia. E escrevendo também, porque era fácil copiar os símbolos, criando minhas próprias palavras. Dias depois, descobri a máquina de escrever do meu pai. E, com isso, aprendi a ler, a escrever e a escrever à maquina quase ao mesmo tempo, antes dos cinco anos.
A vida não é mais a mesma depois que se penetra no reino das palavras. Na verdade, não me recordo de nenhum dia em que não estivesse cercado por elas. Meus pais não liam livros, mas eram grandes consumidores de jornais. Detalhe: depois de lidos, jornais e revistas raramente iam para o lixo. As pilhas se acumulavam e atravessavam os anos. Os exemplares com as catástrofes históricas eram guardados para sempre. Não se jogavam fora as palavras.
Em pouco tempo, decidi que, no futuro, seria jornalista – que viveria das e entre as palavras. Ao contrário de outros garotos de minha geração, nunca pensei em ser médico, engenheiro ou advogado, nem mesmo astronauta. O importante eram as palavras.
Bem, aconteceu que, em tempo hábil, me tornei jornalista, e as palavras têm me sustentado até hoje.
(Ruy Castro. O leitor Apaixonado: prazeres à luz do abajur. Prólogo. São Paulo: Companhia das letras, 2009. Excerto adaptado)
Assinale a alternativa em que o uso da vírgula está em conformidade com a norma-padrão da língua portuguesa.
Provas
Leia o texto para responder a questão.
Começou com Alice
O objeto veio embrulhado num papel verde estampado com motivos infantis. Muito justo. Era um presente de aniversário para uma criança que fazia cinco anos.
O objeto era um livro. O garoto o desembrulhou e contemplou aquele volume.
O título, na capa, ele leu com facilidade: Alice no país das maravilhas. Sentou-se, cruzou as pernas e abriu o livro na página 11, onde começava a história – e nunca mais foi o mesmo.
Já se passaram mais de cinquenta anos, mas posso manusear, folhear e até reler esse livro. Para dizer a verdade, ele está à minha frente nesse momento.
Sim, antes dos cinco anos, eu já conseguia ler. Aprendera meio sozinho, sentado diariamente no colo de minha mãe enquanto, rindo muito, ela lia para si mesma – mas em voz alta a meu pedido. De tanto ouvir o som e o significado daqueles símbolos impressos no jornal enquanto olhava para eles, descobri com naturalidade como funcionavam – as letras formavam sílabas, as sílabas formavam palavras, as palavras formavam ideias. A partir dali, passei a aplicar o processo às outras letras impressas que via pela frente – em cartazes de cinema, anúncios no bonde, tampa de lata de marmelada – e saí lendo tudo que podia. E escrevendo também, porque era fácil copiar os símbolos, criando minhas próprias palavras. Dias depois, descobri a máquina de escrever do meu pai. E, com isso, aprendi a ler, a escrever e a escrever à maquina quase ao mesmo tempo, antes dos cinco anos.
A vida não é mais a mesma depois que se penetra no reino das palavras. Na verdade, não me recordo de nenhum dia em que não estivesse cercado por elas. Meus pais não liam livros, mas eram grandes consumidores de jornais. Detalhe: depois de lidos, jornais e revistas raramente iam para o lixo. As pilhas se acumulavam e atravessavam os anos. Os exemplares com as catástrofes históricas eram guardados para sempre. Não se jogavam fora as palavras.
Em pouco tempo, decidi que, no futuro, seria jornalista – que viveria das e entre as palavras. Ao contrário de outros garotos de minha geração, nunca pensei em ser médico, engenheiro ou advogado, nem mesmo astronauta. O importante eram as palavras.
Bem, aconteceu que, em tempo hábil, me tornei jornalista, e as palavras têm me sustentado até hoje.
(Ruy Castro. O leitor Apaixonado: prazeres à luz do abajur. Prólogo. São Paulo: Companhia das letras, 2009. Excerto adaptado)
Considere as seguintes passagens do texto:
• O garoto o desembrulhou e contemplou aquele volume. (2º parágrafo)
• … mas posso manusear, folhear e até reler esse livro. (4º parágrafo)
• E escrevendo também, porque era fácil copiar os símbolos… (5º parágrafo)
As formas pronominais que substituem as expressões destacadas estão em conformidade com a norma-padrão da língua, respectivamente, em:
Provas
Leia o texto para responder a questão.
Começou com Alice
O objeto veio embrulhado num papel verde estampado com motivos infantis. Muito justo. Era um presente de aniversário para uma criança que fazia cinco anos.
O objeto era um livro. O garoto o desembrulhou e contemplou aquele volume.
O título, na capa, ele leu com facilidade: Alice no país das maravilhas. Sentou-se, cruzou as pernas e abriu o livro na página 11, onde começava a história – e nunca mais foi o mesmo.
Já se passaram mais de cinquenta anos, mas posso manusear, folhear e até reler esse livro. Para dizer a verdade, ele está à minha frente nesse momento.
Sim, antes dos cinco anos, eu já conseguia ler. Aprendera meio sozinho, sentado diariamente no colo de minha mãe enquanto, rindo muito, ela lia para si mesma – mas em voz alta a meu pedido. De tanto ouvir o som e o significado daqueles símbolos impressos no jornal enquanto olhava para eles, descobri com naturalidade como funcionavam – as letras formavam sílabas, as sílabas formavam palavras, as palavras formavam ideias. A partir dali, passei a aplicar o processo às outras letras impressas que via pela frente – em cartazes de cinema, anúncios no bonde, tampa de lata de marmelada – e saí lendo tudo que podia. E escrevendo também, porque era fácil copiar os símbolos, criando minhas próprias palavras. Dias depois, descobri a máquina de escrever do meu pai. E, com isso, aprendi a ler, a escrever e a escrever à maquina quase ao mesmo tempo, antes dos cinco anos.
A vida não é mais a mesma depois que se penetra no reino das palavras. Na verdade, não me recordo de nenhum dia em que não estivesse cercado por elas. Meus pais não liam livros, mas eram grandes consumidores de jornais. Detalhe: depois de lidos, jornais e revistas raramente iam para o lixo. As pilhas se acumulavam e atravessavam os anos. Os exemplares com as catástrofes históricas eram guardados para sempre. Não se jogavam fora as palavras.
Em pouco tempo, decidi que, no futuro, seria jornalista – que viveria das e entre as palavras. Ao contrário de outros garotos de minha geração, nunca pensei em ser médico, engenheiro ou advogado, nem mesmo astronauta. O importante eram as palavras.
Bem, aconteceu que, em tempo hábil, me tornei jornalista, e as palavras têm me sustentado até hoje.
(Ruy Castro. O leitor Apaixonado: prazeres à luz do abajur. Prólogo. São Paulo: Companhia das letras, 2009. Excerto adaptado)
A frase do final do 6º parágrafo – Não se jogavam fora as palavras. – faz uma clara referência
Provas
Leia o texto para responder a questão.
Começou com Alice
O objeto veio embrulhado num papel verde estampado com motivos infantis. Muito justo. Era um presente de aniversário para uma criança que fazia cinco anos.
O objeto era um livro. O garoto o desembrulhou e contemplou aquele volume.
O título, na capa, ele leu com facilidade: Alice no país das maravilhas. Sentou-se, cruzou as pernas e abriu o livro na página 11, onde começava a história – e nunca mais foi o mesmo.
Já se passaram mais de cinquenta anos, mas posso manusear, folhear e até reler esse livro. Para dizer a verdade, ele está à minha frente nesse momento.
Sim, antes dos cinco anos, eu já conseguia ler. Aprendera meio sozinho, sentado diariamente no colo de minha mãe enquanto, rindo muito, ela lia para si mesma – mas em voz alta a meu pedido. De tanto ouvir o som e o significado daqueles símbolos impressos no jornal enquanto olhava para eles, descobri com naturalidade como funcionavam – as letras formavam sílabas, as sílabas formavam palavras, as palavras formavam ideias. A partir dali, passei a aplicar o processo às outras letras impressas que via pela frente – em cartazes de cinema, anúncios no bonde, tampa de lata de marmelada – e saí lendo tudo que podia. E escrevendo também, porque era fácil copiar os símbolos, criando minhas próprias palavras. Dias depois, descobri a máquina de escrever do meu pai. E, com isso, aprendi a ler, a escrever e a escrever à maquina quase ao mesmo tempo, antes dos cinco anos.
A vida não é mais a mesma depois que se penetra no reino das palavras. Na verdade, não me recordo de nenhum dia em que não estivesse cercado por elas. Meus pais não liam livros, mas eram grandes consumidores de jornais. Detalhe: depois de lidos, jornais e revistas raramente iam para o lixo. As pilhas se acumulavam e atravessavam os anos. Os exemplares com as catástrofes históricas eram guardados para sempre. Não se jogavam fora as palavras.
Em pouco tempo, decidi que, no futuro, seria jornalista – que viveria das e entre as palavras. Ao contrário de outros garotos de minha geração, nunca pensei em ser médico, engenheiro ou advogado, nem mesmo astronauta. O importante eram as palavras.
Bem, aconteceu que, em tempo hábil, me tornei jornalista, e as palavras têm me sustentado até hoje.
(Ruy Castro. O leitor Apaixonado: prazeres à luz do abajur. Prólogo. São Paulo: Companhia das letras, 2009. Excerto adaptado)
No contexto de leitura, há emprego de linguagem em sentido figurado na passagem:
Provas
Leia o texto para responder a questão.
Começou com Alice
O objeto veio embrulhado num papel verde estampado com motivos infantis. Muito justo. Era um presente de aniversário para uma criança que fazia cinco anos.
O objeto era um livro. O garoto o desembrulhou e contemplou aquele volume.
O título, na capa, ele leu com facilidade: Alice no país das maravilhas. Sentou-se, cruzou as pernas e abriu o livro na página 11, onde começava a história – e nunca mais foi o mesmo.
Já se passaram mais de cinquenta anos, mas posso manusear, folhear e até reler esse livro. Para dizer a verdade, ele está à minha frente nesse momento.
Sim, antes dos cinco anos, eu já conseguia ler. Aprendera meio sozinho, sentado diariamente no colo de minha mãe enquanto, rindo muito, ela lia para si mesma – mas em voz alta a meu pedido. De tanto ouvir o som e o significado daqueles símbolos impressos no jornal enquanto olhava para eles, descobri com naturalidade como funcionavam – as letras formavam sílabas, as sílabas formavam palavras, as palavras formavam ideias. A partir dali, passei a aplicar o processo às outras letras impressas que via pela frente – em cartazes de cinema, anúncios no bonde, tampa de lata de marmelada – e saí lendo tudo que podia. E escrevendo também, porque era fácil copiar os símbolos, criando minhas próprias palavras. Dias depois, descobri a máquina de escrever do meu pai. E, com isso, aprendi a ler, a escrever e a escrever à maquina quase ao mesmo tempo, antes dos cinco anos.
A vida não é mais a mesma depois que se penetra no reino das palavras. Na verdade, não me recordo de nenhum dia em que não estivesse cercado por elas. Meus pais não liam livros, mas eram grandes consumidores de jornais. Detalhe: depois de lidos, jornais e revistas raramente iam para o lixo. As pilhas se acumulavam e atravessavam os anos. Os exemplares com as catástrofes históricas eram guardados para sempre. Não se jogavam fora as palavras.
Em pouco tempo, decidi que, no futuro, seria jornalista – que viveria das e entre as palavras. Ao contrário de outros garotos de minha geração, nunca pensei em ser médico, engenheiro ou advogado, nem mesmo astronauta. O importante eram as palavras.
Bem, aconteceu que, em tempo hábil, me tornei jornalista, e as palavras têm me sustentado até hoje.
(Ruy Castro. O leitor Apaixonado: prazeres à luz do abajur. Prólogo. São Paulo: Companhia das letras, 2009. Excerto adaptado)
O autor do texto narra a
Provas
Leia o texto para responder a questão.
O chato
Outro dia conversava com uma senhora que me falava sobre seu filho de 25 anos. Ela me disse que o filho adora ler. Que lê poesia desde menino. Que conhece a obra e a biografia de grande parte dos escritores gaúchos. Que não errou uma única questão na prova de literatura, quando fez vestibular. Que não consegue pegar no sono sem antes ler ao menos algumas linhas. E aí ela me alertou: “Mas não é chato!”.
E continuou justificando: disse que o filho adorava sair à noite, escutava rock, viajava bastante e tinha a cabeça super boa. Não era chato. Tive que rir. Por que ele seria?
A gente se apega aos estereótipos e não repara no quanto eles podem ser equivocados. Coloque um livro na mão de um rapaz e logo o imaginamos dentro de uma camisa trancafiada até o último botão, óculos fundo de garrafa e o ombro meio curvado. Provavelmente é antissocial, só escuta música barroca e vive citando Platão. Não parece mesmo muito divertido.
Quem é viciado em leitura também pode gostar muito de fazer musculação, ouvir U2, viajar, saltar de paraquedas, trabalhar com fotografia, todas essas coisas empolgantes que parece que só os não chatos têm acesso.
O pecado do chato é a oratória. Ele fala muito. Fala sobre assuntos que não nos interessam em nada. Ou até nos interessam, mas não naquela hora. O chato não tem timing*.
Uma pessoa pode adorar culinária e ser extremamente agradável ao falar dos pratos exóticos que experimentou em Cingapura, mas vai ser um chato se ficar dissertando sobre as propriedades malignas de um hambúrguer. E uma pessoa pode detestar ler e ainda assim ser extremamente agradável dançando, conversando sobre informática, contando suas experiências com a yoga.
Livro nos dá conhecimento, uma visão mais aberta da vida e nos ensina a escrever melhor. Não nos torna chatos nem nos salva de sê-los.
(Martha Medeiros. Montanha russa: crônicas – Porto Alegre, RS: L&PM, 2016. Excerto adaptado)
*Timing: habilidade para fazer certas coisas, para adotar determinadas medidas, no momento mais adequado ou oportuno.
Considere as seguintes passagens do texto:
• ... não repara no quanto eles podem ser equivocados. (3º parágrafo)
• E uma pessoa pode detestar ler... (6º parágrafo)
Com a substituição dos verbos destacados, as frases estão em conformidade com a norma-padrão de regência verbal e nominal, e sem alteração do sentido do texto original, em:
Provas
Leia o texto para responder a questão.
O chato
Outro dia conversava com uma senhora que me falava sobre seu filho de 25 anos. Ela me disse que o filho adora ler. Que lê poesia desde menino. Que conhece a obra e a biografia de grande parte dos escritores gaúchos. Que não errou uma única questão na prova de literatura, quando fez vestibular. Que não consegue pegar no sono sem antes ler ao menos algumas linhas. E aí ela me alertou: “Mas não é chato!”.
E continuou justificando: disse que o filho adorava sair à noite, escutava rock, viajava bastante e tinha a cabeça super boa. Não era chato. Tive que rir. Por que ele seria?
A gente se apega aos estereótipos e não repara no quanto eles podem ser equivocados. Coloque um livro na mão de um rapaz e logo o imaginamos dentro de uma camisa trancafiada até o último botão, óculos fundo de garrafa e o ombro meio curvado. Provavelmente é antissocial, só escuta música barroca e vive citando Platão. Não parece mesmo muito divertido.
Quem é viciado em leitura também pode gostar muito de fazer musculação, ouvir U2, viajar, saltar de paraquedas, trabalhar com fotografia, todas essas coisas empolgantes que parece que só os não chatos têm acesso.
O pecado do chato é a oratória. Ele fala muito. Fala sobre assuntos que não nos interessam em nada. Ou até nos interessam, mas não naquela hora. O chato não tem timing*.
Uma pessoa pode adorar culinária e ser extremamente agradável ao falar dos pratos exóticos que experimentou em Cingapura, mas vai ser um chato se ficar dissertando sobre as propriedades malignas de um hambúrguer. E uma pessoa pode detestar ler e ainda assim ser extremamente agradável dançando, conversando sobre informática, contando suas experiências com a yoga.
Livro nos dá conhecimento, uma visão mais aberta da vida e nos ensina a escrever melhor. Não nos torna chatos nem nos salva de sê-los.
(Martha Medeiros. Montanha russa: crônicas – Porto Alegre, RS: L&PM, 2016. Excerto adaptado)
*Timing: habilidade para fazer certas coisas, para adotar determinadas medidas, no momento mais adequado ou oportuno.
Para responder a questão, considere a passagem do penúltimo parágrafo:
Uma pessoa pode adorar culinária e ser extremamente agradável ao falar dos pratos exóticos que experimentou em Cingapura, mas vai ser um chato se ficar dissertando sobre as propriedades malignas de um hambúrguer.
Os termos extremamente, exóticos e propriedades, destacados na passagem, têm como sinônimos adequados ao contexto, respectivamente:
Provas
Caderno Container