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Texto base para questão abaixo.
Texto III
AS REGRAS DA ATRAÇÃO
Pesquisa norte-americana relaciona os tropeços de gramática como o segundo principal motivo para as pessoas
descartarem potenciais namorados.
Norte-americanos solteiros acabam de eleger os tropeços de gramática como uma das principais razões que arruínam um primeiro encontro ou o flerte com um potencial parceiro.
Uma pesquisa realizada com 5.481 adultos com mais de 21 anos foi conduzida pela empresa de marketing on-line MarketTools, para definir as qualidades, atitudes e expectativas que ilustram as mudanças culturais nas relações de aproximação entre pessoas solteiras.
Encomendada pelo site Match.com, com sede em Dallas, a sondagem buscou definir um quadro dos 100 milhões de norte-americanos solteiros, 1/3 da população segundo o Censo 2012, dos EUA.
O levantamento, divulgado pouco antes do carnaval de 2013, mostrou que, ao julgar um parceiro em potencial, tanto homens como mulheres colocam a gramática no topo da lista de “requisitos obrigatórios” de um relacionamento, com 55% da preferência, atrás apenas do estado geral dos dentes da pessoa (58%). Além disso, 19% dos homens entrevistados se sentem atraídos (ou repelem) mulheres com sotaque muito acentuado.
Rejeição
Rigorosa, mas desenvolvida para fins comerciais, a pesquisa não tem necessariamente validade científica. Da, no entanto, ideia da dimensão de um fenômeno que pode ser mais comum do que se imagina. No Brasil, onde não há pesquisa do gênero, o paulistano, Flávio Vianna, de 41 anos, é expressão confessa do perfil! apontado pela pesquisa. Separado, reclama da grande quantidade de mulheres por quem se interessa e, quando emenda uma conversa, se decepciona com o linguajar trôpego.
- Há pouco tempo, conheci uma garota bonita, com um corpo bonito, mas quando abriu a boca foi um desastre. Tentei ignorar isso, mas depois de algum tempo o negócio batia como um tambor no meu ouvido - afirma ele.
Entre as expressões que incomodam Flávio, “é nóis" e “para mim fazê” lideram.
- Realmente me incomoda, a ponto de eu sentir vergonha. Vai que um amigo escuta? Ter um relacionamento com alguém que não sabe falar direito é um retrocesso.
Padrão
Cada um escolhe os critérios para aproximar-se de quem o atrai.
A língua, no entanto, é fenômeno social. Uma expressão ou palavra fora da convenção estabelecida por um dado meio indica desprestígio, falta de preparo ou cuidado. Dizer é criar uma linguagem social de si. É ela que está em jogo quando se tropeça no registro gramatical pedido pela situação de comunicação - um risco se o interlocutor for um superior hierárquico, um potencial empregador, um leitor, cliente ou até parceiro conjugal.
O sentido é construído pela seleção e combinação de palavras. E, ao selecionar, a pessoa dá mostras de seu universo de referência, do lugar social de onde procede, suas preferências ideológicas e até de seu gosto estético e amoroso. Indica o tamanho do repertório que a credencia a tornar-se interessante aos olhos de potenciais conquistas amorosas.
- Ter desenvoltura com o idioma faz a pessoa conversar melhor, namorar melhor, trabalhar melhor e ficar bem em qualquer situação em que está inserido - disse à Língua o apresentador Marcelo Tas, do programa CQC (TV Bandeirantes).
Quando falamos, temos a ilusão de achar que comunicamos só um conteúdo intencional, mas há outras informações quando se fala.
O modo de dizer altera a coisa dita.
Flexibilidade é a prova dos nove
O erro de português grave e reiterado pode incomodar e melar uma aproximação promissora entre casais. Mas não está dado que alguém mantenha relacionamento duradouro sendo inflexível no uso da gramática formal. Se alguém aplica, de forma ortodoxa, a gramática normativa numa conversa de bar, por exemplo, pode virar o chato da mesa. Pode perder a namorada.
O problema é que a norma culta tem sido há muito tempo considerada no Brasil um código de distinção social, quando é elemento de comunicação vital à constituição de nossa identidade e de nossos relacionamentos. As distorções dessa visão podem tornar irrelevantes outros aspectos que constituem a linguagem do namoro, como o humor e a capacidade de fazer correlações surpreendentes de ideias.
O que torna a norma culta uma sombra do idioma é tomá-la como universal, quando na verdade não existe um único padrão, mas cada situação de comunicação pede um registro que lhe é adequado. A flexibilidade do registro gramatical, adequado ao contexto de fala e escrita, é um aprendizado desafiador não só para solteiros conquistadores. Caso contrário, a pessoa se arrisca a perder muito mais do que um futuro parceiro.
“Mas muita gente pode considerar que a falta de familiaridade com o padrão do idioma retrata outros aspectos da personalidade e da inteligência de uma pessoa, fato nunca comprovado pela ciência e raciocínio que alimenta preconceitos”
No fragmento em destaque, a associação da falta de familiaridade com o padrão do idioma a aspectos de personalidade e inteligência de uma pessoa, ainda que sem comprovação científica, se dá pela estratégia argumentativa de:
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Texto III
AS REGRAS DA ATRAÇÃO
Pesquisa norte-americana relaciona os tropeços de gramática como o segundo principal motivo para as pessoas
descartarem potenciais namorados.
Norte-americanos solteiros acabam de eleger os tropeços de gramática como uma das principais razões que arruínam um primeiro encontro ou o flerte com um potencial parceiro.
Uma pesquisa realizada com 5.481 adultos com mais de 21 anos foi conduzida pela empresa de marketing on-line MarketTools, para definir as qualidades, atitudes e expectativas que ilustram as mudanças culturais nas relações de aproximação entre pessoas solteiras.
Encomendada pelo site Match.com, com sede em Dallas, a sondagem buscou definir um quadro dos 100 milhões de norte-americanos solteiros, 1/3 da população segundo o Censo 2012, dos EUA.
O levantamento, divulgado pouco antes do carnaval de 2013, mostrou que, ao julgar um parceiro em potencial, tanto homens como mulheres colocam a gramática no topo da lista de “requisitos obrigatórios” de um relacionamento, com 55% da preferência, atrás apenas do estado geral dos dentes da pessoa (58%). Além disso, 19% dos homens entrevistados se sentem atraídos (ou repelem) mulheres com sotaque muito acentuado.
Rejeição
Rigorosa, mas desenvolvida para fins comerciais, a pesquisa não tem necessariamente validade científica. Da, no entanto, ideia da dimensão de um fenômeno que pode ser mais comum do que se imagina. No Brasil, onde não há pesquisa do gênero, o paulistano, Flávio Vianna, de 41 anos, é expressão confessa do perfil! apontado pela pesquisa.
- Há pouco tempo, conheci uma garota bonita, com um corpo bonito, mas quando abriu a boca foi um desastre. Tentei ignorar isso, mas depois de algum tempo o negócio batia como um tambor no meu ouvido - afirma ele.
Entre as expressões que incomodam Flávio, “é nóis" e “para mim fazê” lideram.
- Realmente me incomoda, a ponto de eu sentir vergonha. Vai que um amigo escuta? Ter um relacionamento com alguém que não sabe falar direito é um retrocesso.
Padrão
Cada um escolhe os critérios para aproximar-se de quem o atrai. Mas muita gente pode considerar que a falta de familiaridade com o padrão do idioma retrata outros aspectos da personalidade e da inteligência de uma pessoa, fato nunca comprovado pela ciência e raciocínio que alimenta preconceitos.
A língua, no entanto, é fenômeno social. Uma expressão ou palavra fora da convenção estabelecida por um dado meio indica desprestígio, falta de preparo ou cuidado. Dizer é criar uma linguagem social de si. É ela que está em jogo quando se tropeça no registro gramatical pedido pela situação de comunicação - um risco se o interlocutor for um superior hierárquico, um potencial empregador, um leitor, cliente ou até parceiro conjugal.
O sentido é construído pela seleção e combinação de palavras. E, ao selecionar, a pessoa dá mostras de seu universo de referência, do lugar social de onde procede, suas preferências ideológicas e até de seu gosto estético e amoroso. Indica o tamanho do repertório que a credencia a tornar-se interessante aos olhos de potenciais conquistas amorosas.
- Ter desenvoltura com o idioma faz a pessoa conversar melhor, namorar melhor, trabalhar melhor e ficar bem em qualquer situação em que está inserido - disse à Língua o apresentador Marcelo Tas, do programa CQC (TV Bandeirantes).
Quando falamos, temos a ilusão de achar que comunicamos só um conteúdo intencional, mas há outras informações quando se fala.
O modo de dizer altera a coisa dita.
Flexibilidade é a prova dos nove
O erro de português grave e reiterado pode incomodar e melar uma aproximação promissora entre casais. Mas não está dado que alguém mantenha relacionamento duradouro sendo inflexível no uso da gramática formal. Se alguém aplica, de forma ortodoxa, a gramática normativa numa conversa de bar, por exemplo, pode virar o chato da mesa. Pode perder a namorada.
O problema é que a norma culta tem sido há muito tempo considerada no Brasil um código de distinção social, quando é elemento de comunicação vital à constituição de nossa identidade e de nossos relacionamentos. As distorções dessa visão podem tornar irrelevantes outros aspectos que constituem a linguagem do namoro, como o humor e a capacidade de fazer correlações surpreendentes de ideias.
O que torna a norma culta uma sombra do idioma é tomá-la como universal, quando na verdade não existe um único padrão, mas cada situação de comunicação pede um registro que lhe é adequado. A flexibilidade do registro gramatical, adequado ao contexto de fala e escrita, é um aprendizado desafiador não só para solteiros conquistadores. Caso contrário, a pessoa se arrisca a perder muito mais do que um futuro parceiro.
Analise morfossintaticamente o termo sublinhado no trecho “Separado, reclama da grande quantidade de mulheres por quem se interessa” e assinale a opção correta.
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AS REGRAS DA ATRAÇÃO
Pesquisa norte-americana relaciona os tropeços de gramática como o segundo principal motivo para as pessoas
descartarem potenciais namorados.
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Uma pesquisa realizada com 5.481 adultos com mais de 21 anos foi conduzida pela empresa de marketing on-line MarketTools, para definir as qualidades, atitudes e expectativas que ilustram as mudanças culturais nas relações de aproximação entre pessoas solteiras.
Encomendada pelo site Match.com, com sede em Dallas, a sondagem buscou definir um quadro dos 100 milhões de norte-americanos solteiros, 1/3 da população segundo o Censo 2012, dos EUA.
O levantamento, divulgado pouco antes do carnaval de 2013, mostrou que, ao julgar um parceiro em potencial, tanto homens como mulheres colocam a gramática no topo da lista de “requisitos obrigatórios” de um relacionamento, com 55% da preferência, atrás apenas do estado geral dos dentes da pessoa (58%). Além disso, 19% dos homens entrevistados se sentem atraídos (ou repelem) mulheres com sotaque muito acentuado.
Rejeição
Rigorosa, mas desenvolvida para fins comerciais, a pesquisa não tem necessariamente validade científica. Da, no entanto, ideia da dimensão de um fenômeno que pode ser mais comum do que se imagina. No Brasil, onde não há pesquisa do gênero, o paulistano, Flávio Vianna, de 41 anos, é expressão confessa do perfil! apontado pela pesquisa.
- Há pouco tempo, conheci uma garota bonita, com um corpo bonito, mas quando abriu a boca foi um desastre. Tentei ignorar isso, mas depois de algum tempo o negócio batia como um tambor no meu ouvido - afirma ele.
Entre as expressões que incomodam Flávio, “é nóis" e “para mim fazê” lideram.
- Realmente me incomoda, a ponto de eu sentir vergonha. Vai que um amigo escuta? Ter um relacionamento com alguém que não sabe falar direito é um retrocesso.
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Cada um escolhe os critérios para aproximar-se de quem o atrai. Mas muita gente pode considerar que a falta de familiaridade com o padrão do idioma retrata outros aspectos da personalidade e da inteligência de uma pessoa, fato nunca comprovado pela ciência e raciocínio que alimenta preconceitos.
A língua, no entanto, é fenômeno social. Uma expressão ou palavra fora da convenção estabelecida por um dado meio indica desprestígio, falta de preparo ou cuidado. Dizer é criar uma linguagem social de si. É ela que está em jogo quando se tropeça no registro gramatical pedido pela situação de comunicação - um risco se o interlocutor for um superior hierárquico, um potencial empregador, um leitor, cliente ou até parceiro conjugal.
O sentido é construído pela seleção e combinação de palavras. E, ao selecionar, a pessoa dá mostras de seu universo de referência, do lugar social de onde procede, suas preferências ideológicas e até de seu gosto estético e amoroso. Indica o tamanho do repertório que a credencia a tornar-se interessante aos olhos de potenciais conquistas amorosas.
- Ter desenvoltura com o idioma faz a pessoa conversar melhor, namorar melhor, trabalhar melhor e ficar bem em qualquer situação em que está inserido - disse à Língua o apresentador Marcelo Tas, do programa CQC (TV Bandeirantes).
Quando falamos, temos a ilusão de achar que comunicamos só um conteúdo intencional, mas há outras informações quando se fala.
O modo de dizer altera a coisa dita.
Flexibilidade é a prova dos nove
O erro de português grave e reiterado pode incomodar e melar uma aproximação promissora entre casais. Mas não está dado que alguém mantenha relacionamento duradouro sendo inflexível no uso da gramática formal. Se alguém aplica, de forma ortodoxa, a gramática normativa numa conversa de bar, por exemplo, pode virar o chato da mesa. Pode perder a namorada.
O problema é que a norma culta tem sido há muito tempo considerada no Brasil um código de distinção social, quando é elemento de comunicação vital à constituição de nossa identidade e de nossos relacionamentos. As distorções dessa visão podem tornar irrelevantes outros aspectos que constituem a linguagem do namoro, como o humor e a capacidade de fazer correlações surpreendentes de ideias.
O que torna a norma culta uma sombra do idioma é tomá-la como universal, quando na verdade não existe um único padrão, mas cada situação de comunicação pede um registro que lhe é adequado. A flexibilidade do registro gramatical, adequado ao contexto de fala e escrita, é um aprendizado desafiador não só para solteiros conquistadores. Caso contrário, a pessoa se arrisca a perder muito mais do que um futuro parceiro.
No fragmento “Separado, reclama da grande quantidade de mulheres por quem se interessa e, quando emenda uma conversa, se decepciona com o linguajar trôpego.” , a palavra “trôpego” expressa o sentido de:
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Norte-americanos solteiros acabam de eleger os tropeços de gramática como uma das principais razões que arruínam um primeiro encontro ou o flerte com um potencial parceiro.
Uma pesquisa realizada com 5.481 adultos com mais de 21 anos foi conduzida pela empresa de marketing on-line MarketTools, para definir as qualidades, atitudes e expectativas que ilustram as mudanças culturais nas relações de aproximação entre pessoas solteiras.
Encomendada pelo site Match.com, com sede em Dallas, a sondagem buscou definir um quadro dos 100 milhões de norte-americanos solteiros, 1/3 da população segundo o Censo 2012, dos EUA.
O levantamento, divulgado pouco antes do carnaval de 2013, mostrou que, ao julgar um parceiro em potencial, tanto homens como mulheres colocam a gramática no topo da lista de “requisitos obrigatórios” de um relacionamento, com 55% da preferência, atrás apenas do estado geral dos dentes da pessoa (58%). Além disso, 19% dos homens entrevistados se sentem atraídos (ou repelem) mulheres com sotaque muito acentuado.
Rejeição
Rigorosa, mas desenvolvida para fins comerciais, a pesquisa não tem necessariamente validade científica. Da, no entanto, ideia da dimensão de um fenômeno que
- Há pouco tempo, conheci uma garota bonita, com um corpo bonito, mas quando abriu a boca foi um desastre. Tentei ignorar isso, mas depois de algum tempo o negócio batia como um tambor no meu ouvido - afirma ele.
Entre as expressões que incomodam Flávio, “é nóis" e “para mim fazê” lideram.
- Realmente me incomoda, a ponto de eu sentir vergonha. Vai que um amigo escuta? Ter um relacionamento com alguém que não sabe falar direito é um retrocesso.
Padrão
Cada um escolhe os critérios para aproximar-se de quem o atrai. Mas muita gente pode considerar que a falta de familiaridade com o padrão do idioma retrata outros aspectos da personalidade e da inteligência de uma pessoa, fato nunca comprovado pela ciência e raciocínio que alimenta preconceitos.
A língua, no entanto, é fenômeno social. Uma expressão ou palavra fora da convenção estabelecida por um dado meio indica desprestígio, falta de preparo ou cuidado. Dizer é criar uma linguagem social de si.
O sentido é construído pela seleção e combinação de palavras. E, ao selecionar, a pessoa dá mostras de seu universo de referência, do lugar social de onde procede, suas preferências ideológicas e até de seu gosto estético e amoroso. Indica o tamanho do repertório que a credencia a tornar-se interessante aos olhos de potenciais conquistas amorosas.
- Ter desenvoltura com o idioma faz a pessoa conversar melhor, namorar melhor, trabalhar melhor e ficar bem em qualquer situação em que está inserido - disse à Língua o apresentador Marcelo Tas, do programa CQC (TV Bandeirantes).
Quando falamos, temos a ilusão de achar que comunicamos só um conteúdo intencional, mas há outras informações quando se fala.
O modo de dizer altera a coisa dita.
Flexibilidade é a prova dos nove
O erro de português grave e reiterado pode incomodar e melar uma aproximação promissora entre casais.
O problema é que a norma culta tem sido há muito tempo considerada no Brasil um código de distinção social, quando é elemento de comunicação vital à constituição de nossa identidade e de nossos relacionamentos. As distorções dessa visão podem tornar irrelevantes outros aspectos que constituem a linguagem do namoro, como o humor e a capacidade de fazer correlações surpreendentes de ideias.
Observe os fragmentos abaixo.
I- “[..] pode ser mais comum do que se imagina.”
II- “E ela que está em jogo quando se tropeça [...].”
III- “Mas não está dado que alguém mantenha [..]”
IV- “O que torna a norma culta uma sombra [...].”
Marque a opção em que a classificação morfológica das palavras sublinhadas está correta.
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AS REGRAS DA ATRAÇÃO
Pesquisa norte-americana relaciona os tropeços de gramática como o segundo principal motivo para as pessoas
descartarem potenciais namorados.
Norte-americanos solteiros acabam de eleger os tropeços de gramática como uma das principais razões que arruínam um primeiro encontro ou o flerte com um potencial parceiro.
Uma pesquisa realizada com 5.481 adultos com mais de 21 anos foi conduzida pela empresa de marketing on-line MarketTools, para definir as qualidades, atitudes e expectativas que ilustram as mudanças culturais nas relações de aproximação entre pessoas solteiras.
Encomendada pelo site Match.com, com sede em Dallas, a sondagem buscou definir um quadro dos 100 milhões de norte-americanos solteiros, 1/3 da população segundo o Censo 2012, dos EUA.
O levantamento, divulgado pouco antes do carnaval de 2013, mostrou que, ao julgar um parceiro em potencial, tanto homens como mulheres colocam a gramática no topo da lista de “requisitos obrigatórios” de um relacionamento, com 55% da preferência, atrás apenas do estado geral dos dentes da pessoa (58%). Além disso, 19% dos homens entrevistados se sentem atraídos (ou repelem) mulheres com sotaque muito acentuado.
Rejeição
Rigorosa, mas desenvolvida para fins comerciais, a pesquisa não tem necessariamente validade científica. Da, no entanto, ideia da dimensão de um fenômeno que pode ser mais comum do que se imagina. No Brasil, onde não há pesquisa do gênero, o paulistano, Flávio Vianna, de 41 anos, é expressão confessa do perfil! apontado pela pesquisa. Separado, reclama da grande quantidade de mulheres por quem se interessa e, quando emenda uma conversa, se decepciona com o linguajar trôpego.
- Há pouco tempo, conheci uma garota bonita, com um corpo bonito, mas quando abriu a boca foi um desastre. Tentei ignorar isso, mas depois de algum tempo o negócio batia como um tambor no meu ouvido - afirma ele.
Entre as expressões que incomodam Flávio, “é nóis" e “para mim fazê” lideram.
- Realmente me incomoda, a ponto de eu sentir vergonha. Vai que um amigo escuta? Ter um relacionamento com alguém que não sabe falar direito é um retrocesso.
Padrão
Cada um escolhe os critérios para aproximar-se de quem o atrai. Mas muita gente pode considerar que a falta de familiaridade com o padrão do idioma retrata outros aspectos da personalidade e da inteligência de uma pessoa, fato nunca comprovado pela ciência e raciocínio que alimenta preconceitos.
A língua, no entanto, é fenômeno social. Uma expressão ou palavra fora da convenção estabelecida por um dado meio indica desprestígio, falta de preparo ou cuidado. Dizer é criar uma linguagem social de si. É ela que está em jogo quando se tropeça no registro gramatical pedido pela situação de comunicação - um risco se o interlocutor for um superior hierárquico, um potencial empregador, um leitor, cliente ou até parceiro conjugal.
O sentido é construído pela seleção e combinação de palavras. E, ao selecionar, a pessoa dá mostras de seu universo de referência, do lugar social de onde procede, suas preferências ideológicas e até de seu gosto estético e amoroso. Indica o tamanho do repertório que a credencia a tornar-se interessante aos olhos de potenciais conquistas amorosas.
- Ter desenvoltura com o idioma faz a pessoa conversar melhor, namorar melhor, trabalhar melhor e ficar bem em qualquer situação em que está inserido - disse à Língua o apresentador Marcelo Tas, do programa CQC (TV Bandeirantes).
Quando falamos, temos a ilusão de achar que comunicamos só um conteúdo intencional, mas há outras informações quando se fala.
O modo de dizer altera a coisa dita.
Flexibilidade é a prova dos nove
O erro de português grave e reiterado pode incomodar e melar uma aproximação promissora entre casais. Mas não está dado que alguém mantenha relacionamento duradouro sendo inflexível no uso da gramática formal. Se alguém aplica, de forma ortodoxa, a gramática normativa numa conversa de bar, por exemplo, pode virar o chato da mesa. Pode perder a namorada.
O problema é que a norma culta tem sido há muito tempo considerada no Brasil um código de distinção social, quando é elemento de comunicação vital à constituição de nossa identidade e de nossos relacionamentos. As distorções dessa visão podem tornar irrelevantes outros aspectos que constituem a linguagem do namoro, como o humor e a capacidade de fazer correlações surpreendentes de ideias.
O que torna a norma culta uma sombra do idioma é tomá-la como universal, quando na verdade não existe um único padrão, mas cada situação de comunicação pede um registro que lhe é adequado. A flexibilidade do registro gramatical, adequado ao contexto de fala e escrita, é um aprendizado desafiador não só para solteiros conquistadores. Caso contrário, a pessoa se arrisca a perder muito mais do que um futuro parceiro.
Assinale a opção na qual há uma palavra cujo sufixo exprime a mesma ideia do sufixo -agem da palavra “sondagem”,
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descartarem potenciais namorados.
Norte-americanos solteiros acabam de eleger os tropeços de gramática como uma das principais razões que arruínam um primeiro encontro ou o flerte com um potencial parceiro.
Uma pesquisa realizada com 5.481 adultos com mais de 21 anos foi conduzida pela empresa de marketing on-line MarketTools, para definir as qualidades, atitudes e expectativas que ilustram as mudanças culturais nas relações de aproximação entre pessoas solteiras.
Encomendada pelo site Match.com, com sede em Dallas, a sondagem buscou definir um quadro dos 100 milhões de norte-americanos solteiros, 1/3 da população segundo o Censo 2012, dos EUA.
O levantamento, divulgado pouco antes do carnaval de 2013, mostrou que, ao julgar um parceiro em potencial, tanto homens como mulheres colocam a gramática no topo da lista de “requisitos obrigatórios” de um relacionamento, com 55% da preferência, atrás apenas do estado geral dos dentes da pessoa (58%). Além disso, 19% dos homens entrevistados se sentem atraídos (ou repelem) mulheres com sotaque muito acentuado.
Rejeição
Rigorosa, mas desenvolvida para fins comerciais, a pesquisa não tem necessariamente validade científica. Da, no entanto, ideia da dimensão de um fenômeno que pode ser mais comum do que se imagina. No Brasil, onde não há pesquisa do gênero, o paulistano, Flávio Vianna, de 41 anos, é expressão confessa do perfil! apontado pela pesquisa. Separado, reclama da grande quantidade de mulheres por quem se interessa e, quando emenda uma conversa, se decepciona com o linguajar trôpego.
Entre as expressões que incomodam Flávio, “é nóis" e “para mim fazê” lideram.
- Realmente me incomoda, a ponto de eu sentir vergonha. Vai que um amigo escuta? Ter um relacionamento com alguém que não sabe falar direito é um retrocesso.
Padrão
Cada um escolhe os critérios para aproximar-se de quem o atrai. Mas muita gente pode considerar que a falta de familiaridade com o padrão do idioma retrata outros aspectos da personalidade e da inteligência de uma pessoa, fato nunca comprovado pela ciência e raciocínio que alimenta preconceitos.
A língua, no entanto, é fenômeno social. Uma expressão ou palavra fora da convenção estabelecida por um dado meio indica desprestígio, falta de preparo ou cuidado. Dizer é criar uma linguagem social de si. É ela que está em jogo quando se tropeça no registro gramatical pedido pela situação de comunicação - um risco se o interlocutor for um superior hierárquico, um potencial empregador, um leitor, cliente ou até parceiro conjugal.
O sentido é construído pela seleção e combinação de palavras. E, ao selecionar, a pessoa dá mostras de seu universo de referência, do lugar social de onde procede, suas preferências ideológicas e até de seu gosto estético e amoroso. Indica o tamanho do repertório que a credencia a tornar-se interessante aos olhos de potenciais conquistas amorosas.
- Ter desenvoltura com o idioma faz a pessoa conversar melhor, namorar melhor, trabalhar melhor e ficar bem em qualquer situação em que está inserido - disse à Língua o apresentador Marcelo Tas, do programa CQC (TV Bandeirantes).
Quando falamos, temos a ilusão de achar que comunicamos só um conteúdo intencional, mas há outras informações quando se fala.
O modo de dizer altera a coisa dita.
Flexibilidade é a prova dos nove
O erro de português grave e reiterado pode incomodar e melar uma aproximação promissora entre casais. Mas não está dado que alguém mantenha relacionamento duradouro sendo inflexível no uso da gramática formal. Se alguém aplica, de forma ortodoxa, a gramática normativa numa conversa de bar, por exemplo, pode virar o chato da mesa. Pode perder a namorada.
O problema é que a norma culta tem sido há muito tempo considerada no Brasil um código de distinção social, quando é elemento de comunicação vital à constituição de nossa identidade e de nossos relacionamentos. As distorções dessa visão podem tornar irrelevantes outros aspectos que constituem a linguagem do namoro, como o humor e a capacidade de fazer correlações surpreendentes de ideias.
O que torna a norma culta uma sombra do idioma é tomá-la como universal, quando na verdade não existe um único padrão, mas cada situação de comunicação pede um registro que lhe é adequado. A flexibilidade do registro gramatical, adequado ao contexto de fala e escrita, é um aprendizado desafiador não só para solteiros conquistadores. Caso contrário, a pessoa se arrisca a perder muito mais do que um futuro parceiro.
No fragmento “Há pouco tempo, conheci uma garota bonita, com um corpo bonito, mas quando abriu a boca foi um desastre. Tentei ignorar isso, mas depois de algum tempo o negócio batia como um tambor no meu ouvido - afirma ele.”, ao fazer uso do termo negócio, o autor utilizou recurso de coesão textual de:
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Texto III
AS REGRAS DA ATRAÇÃO
Pesquisa norte-americana relaciona os tropeços de gramática como o segundo principal motivo para as pessoas
descartarem potenciais namorados.
Norte-americanos solteiros acabam de eleger os tropeços de gramática como uma das principais razões que arruínam um primeiro encontro ou o flerte com um potencial parceiro.
Encomendada pelo site Match.com, com sede em Dallas, a sondagem buscou definir um quadro dos 100 milhões de norte-americanos solteiros, 1/3 da população segundo o Censo 2012, dos EUA.
O levantamento, divulgado pouco antes do carnaval de 2013, mostrou que, ao julgar um parceiro em potencial, tanto homens como mulheres colocam a gramática no topo da lista de “requisitos obrigatórios” de um relacionamento, com 55% da preferência, atrás apenas do estado geral dos dentes da pessoa (58%). Além disso, 19% dos homens entrevistados se sentem atraídos (ou repelem) mulheres com sotaque muito acentuado.
Rejeição
Rigorosa, mas desenvolvida para fins comerciais, a pesquisa não tem necessariamente validade científica. Da, no entanto, ideia da dimensão de um fenômeno que pode ser mais comum do que se imagina. No Brasil, onde não há pesquisa do gênero, o paulistano, Flávio Vianna, de 41 anos, é expressão confessa do perfil! apontado pela pesquisa. Separado, reclama da grande quantidade de mulheres por quem se interessa e, quando emenda uma conversa, se decepciona com o linguajar trôpego.
- Há pouco tempo, conheci uma garota bonita, com um corpo bonito, mas quando abriu a boca foi um desastre. Tentei ignorar isso, mas depois de algum tempo o negócio batia como um tambor no meu ouvido - afirma ele.
Entre as expressões que incomodam Flávio, “é nóis" e “para mim fazê” lideram.
- Realmente me incomoda, a ponto de eu sentir vergonha. Vai que um amigo escuta? Ter um relacionamento com alguém que não sabe falar direito é um retrocesso.
Padrão
Cada um escolhe os critérios para aproximar-se de quem o atrai. Mas muita gente pode considerar que a falta de familiaridade com o padrão do idioma retrata outros aspectos da personalidade e da inteligência de uma pessoa, fato nunca comprovado pela ciência e raciocínio que alimenta preconceitos.
A língua, no entanto, é fenômeno social. Uma expressão ou palavra fora da convenção estabelecida por um dado meio indica desprestígio, falta de preparo ou cuidado. Dizer é criar uma linguagem social de si. É ela que está em jogo quando se tropeça no registro gramatical pedido pela situação de comunicação - um risco se o interlocutor for um superior hierárquico, um potencial empregador, um leitor, cliente ou até parceiro conjugal.
O sentido é construído pela seleção e combinação de palavras. E, ao selecionar, a pessoa dá mostras de seu universo de referência, do lugar social de onde procede, suas preferências ideológicas e até de seu gosto estético e amoroso. Indica o tamanho do repertório que a credencia a tornar-se interessante aos olhos de potenciais conquistas amorosas.
- Ter desenvoltura com o idioma faz a pessoa conversar melhor, namorar melhor, trabalhar melhor e ficar bem em qualquer situação em que está inserido - disse à Língua o apresentador Marcelo Tas, do programa CQC (TV Bandeirantes).
Quando falamos, temos a ilusão de achar que comunicamos só um conteúdo intencional, mas há outras informações quando se fala.
O modo de dizer altera a coisa dita.
Flexibilidade é a prova dos nove
O erro de português grave e reiterado pode incomodar e melar uma aproximação promissora entre casais. Mas não está dado que alguém mantenha relacionamento duradouro sendo inflexível no uso da gramática formal. Se alguém aplica, de forma ortodoxa, a gramática normativa numa conversa de bar, por exemplo, pode virar o chato da mesa. Pode perder a namorada.
O problema é que a norma culta tem sido há muito tempo considerada no Brasil um código de distinção social, quando é elemento de comunicação vital à constituição de nossa identidade e de nossos relacionamentos. As distorções dessa visão podem tornar irrelevantes outros aspectos que constituem a linguagem do namoro, como o humor e a capacidade de fazer correlações surpreendentes de ideias.
O que torna a norma culta uma sombra do idioma é tomá-la como universal, quando na verdade não existe um único padrão, mas cada situação de comunicação pede um registro que lhe é adequado. A flexibilidade do registro gramatical, adequado ao contexto de fala e escrita, é um aprendizado desafiador não só para solteiros conquistadores. Caso contrário, a pessoa se arrisca a perder muito mais do que um futuro parceiro.
“Uma pesquisa realizada com 5.481 adultos com mais de 21 anos foi conduzida pela empresa de marketing on-line MarketTools, para definir as qualidades, atitudes e expectativas que ilustram as mudanças culturais nas relações de aproximação entre pessoas solteiras."
Assinale a opção na qual a reescritura do fragmento altera seu sentido original.
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Texto base para questão abaixo.
Texto II
RETRATO DO ARTISTA QUANDO MÁQUINA
Tempos atrás, um colega enviou-me um e-mail com um pedido. Ele tinha escrito um ensaio sobre um tema que me é familiar. Estaria eu disposto a ler e a dar uma opinião? Aceitei. Li. Ensaio rigoroso, sem grandes floreados estilísticos e muito bem estruturado. Gostei. Ele agradeceu a ajuda e depois informou-me, entre risos, que o ensaio tinha sido escrito por um software de inteligência artificial.
Desconfiei. Uma máquina não podia escrever assim. O texto soava demasiado humano. Ele enviou o mesmo ensaio, mas com algumas variações. Em rima, em diálogo, como piada, como tragédia clássica, em estilo satírico, em estilo barroco etc. E convidou-me a experimentar. Entrei no site, fiz a experiência - escrevi: “Usando alguma ironia, me dê uma boa razão para tolerar idiotas”. Depois contemplei uma parte do meu mundo a desaparecer. Veja só o primeiro parágrafo:
“Uma boa razão para tolerar idiotas é que eles podem proporcionar entretenimento e diversão infindos com suas ações insensatas e crenças equivocadas, desde que estejamos a uma distância segura.”
Como professor, vou ser obrigado a dizer adeus aos ensaios e a regressar aos exames presenciais. Os plágios já eram uma praga da vida acadêmica. A inteligência artificial é outra coisa: um crime que não deixa qualquer rastro. É possível produzir incontáveis textos sobre o mesmo assunto e nenhum deles ser igual aos restantes.
Mas programas como o ChatGPT - eis o nome do monstro - não são apenas uma ameaça para a vida acadêmica honesta. Podem ser o princípio do fim para a vida artística, literária ou jornalística, o que não deixa de ser um pensamento aterrador. Quem diria que as profissões criativas também estariam na lista negra do progresso tecnológico? Poucos. Ninguém. Dias atrás, Derek Thomson escrevia na revista Atlantic que vários pesquisadores de Oxford anteciparam em 2013 as profissões que seriam destruídas peia automação e pela inteligência artificial. Todas elas eram ocupações repetitivas, manuais e sem imaginação. Os arquitetos e os escritores estariam a salvo, afirma ironicamente Thomson.
Não mais. Será possível produzir livros, quadros ou músicas sem nenhuma intervenção humana. Melhor, ou pior: será possível programar um computador para que ele escreva ou pinte como o romancista X ou o artista Y. No limite, o autor só tem de produzir uma única obra. Depois, o seu estilo será incorporado pela máquina, que acabará regurgitando novas produções do mesmo “autor”, Isso para ficarmos nos vivos. Sobre os mortos, quem disse que Dante desapareceu da paisagem no século 14? Quem disse que Charles Dickens não escreveu mais nada depois de 1870? Ambos continuarão produzindo pela eternidade afora.
Sim, talvez eu esteja exagerando. Somos filhos dos românticos. Aquilo que nos interessa em qualquer feito humano não é apenas o resultado; é o processo que conduz ao resultado. Entre dois poemas igualmente belos, um escrito por uma máquina e o outro por um ser humano, preferimos o poema escrito por um poeta de verdade. Há na imitação, mesmo na mais perfeita, uma mancha inapagável que desvaloriza o produto final, Se assim não fosse, um quadro de Van Gogh e uma cópia primorosa do mesmo quadro teriam o mesmo valor - monetário e artístico. Claro: para o comum dos mortais, uma exposição só com quadros forjados de Van Gogh chegava e sobrava. Mas bastaria informar o público de que os quadros eram falsificações para que o entusiasmo se evaporasse.
Dito de outra forma: buscamos experiências autênticas, e não apenas experiências. Isso significa que a sobrevivência das artes e das letras exige autenticidade humana. Mas como aferir essa autenticidade na era da inteligência artificial? Acredito, ou quero muito acreditar, que haverá formas igualmente virtuais de detectar o que é produto da máquina e não do homem. Se isso não for possível, imagino um futuro próximo em que o escritor só será lido se for também um performer da sua obra: sentado no palco, escrevendo o seu romance ou o seu poema, e os leitores na plateia, como testemunhas, acompanhando as palavras na tela gigante. O livro será o resultado dessas sessões teatrais.
Marque a opção que contém, sinteticamente, a ideia central do texto de João Pereira Coutinho.
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Texto base para questão abaixo.
Texto II
RETRATO DO ARTISTA QUANDO MÁQUINA
Tempos atrás, um colega enviou-me um e-mail com um pedido. Ele tinha escrito um ensaio sobre um tema que me é familiar. Estaria eu disposto a ler e a dar uma opinião? Aceitei. Li. Ensaio rigoroso, sem grandes floreados estilísticos e muito bem estruturado. Gostei. Ele agradeceu a ajuda e depois informou-me, entre risos, que o ensaio tinha sido escrito por um software de inteligência artificial.
Desconfiei. Uma máquina não podia escrever assim. O texto soava demasiado humano. Ele enviou o mesmo ensaio, mas com algumas variações. Em rima, em diálogo, como piada, como tragédia clássica, em estilo satírico, em estilo barroco etc. E convidou-me a experimentar. Entrei no site, fiz a experiência - escrevi: “Usando alguma ironia, me dê uma boa razão para tolerar idiotas”. Depois contemplei uma parte do meu mundo a desaparecer. Veja só o primeiro parágrafo:
“Uma boa razão para tolerar idiotas é que eles podem proporcionar entretenimento e diversão infindos com suas ações insensatas e crenças equivocadas, desde que estejamos a uma distância segura.”
Mas programas como o ChatGPT - eis o nome do monstro - não são apenas uma ameaça para a vida acadêmica honesta. Podem ser o princípio do fim para a vida artística, literária ou jornalística, o que não deixa de ser um pensamento aterrador. Quem diria que as profissões criativas também estariam na lista negra do progresso tecnológico? Poucos. Ninguém. Dias atrás, Derek Thomson escrevia na revista Atlantic que vários pesquisadores de Oxford anteciparam em 2013 as profissões que seriam destruídas peia automação e pela inteligência artificial. Todas elas eram ocupações repetitivas, manuais e sem imaginação. Os arquitetos e os escritores estariam a salvo, afirma ironicamente Thomson.
Não mais. Será possível produzir livros, quadros ou músicas sem nenhuma intervenção humana. Melhor, ou pior: será possível programar um computador para que ele escreva ou pinte como o romancista X ou o artista Y. No limite, o autor só tem de produzir uma única obra. Depois, o seu estilo será incorporado pela máquina, que acabará regurgitando novas produções do mesmo “autor”, Isso para ficarmos nos vivos. Sobre os mortos, quem disse que Dante desapareceu da paisagem no século 14? Quem disse que Charles Dickens não escreveu mais nada depois de 1870? Ambos continuarão produzindo pela eternidade afora.
Sim, talvez eu esteja exagerando. Somos filhos dos românticos. Aquilo que nos interessa em qualquer feito humano não é apenas o resultado; é o processo que conduz ao resultado. Entre dois poemas igualmente belos, um escrito por uma máquina e o outro por um ser humano, preferimos o poema escrito por um poeta de verdade. Há na imitação, mesmo na mais perfeita, uma mancha inapagável que desvaloriza o produto final, Se assim não fosse, um quadro de Van Gogh e uma cópia primorosa do mesmo quadro teriam o mesmo valor - monetário e artístico. Claro: para o comum dos mortais, uma exposição só com quadros forjados de Van Gogh chegava e sobrava. Mas bastaria informar o público de que os quadros eram falsificações para que o entusiasmo se evaporasse.
Dito de outra forma: buscamos experiências autênticas, e não apenas experiências. Isso significa que a sobrevivência das artes e das letras exige autenticidade humana. Mas como aferir essa autenticidade na era da inteligência artificial? Acredito, ou quero muito acreditar, que haverá formas igualmente virtuais de detectar o que é produto da máquina e não do homem. Se isso não for possível, imagino um futuro próximo em que o escritor só será lido se for também um performer da sua obra: sentado no palco, escrevendo o seu romance ou o seu poema, e os leitores na plateia, como testemunhas, acompanhando as palavras na tela gigante. O livro será o resultado dessas sessões teatrais.
Leia o trecho abaixo:
“Como professor, vou ser obrigado a dizer adeus aos ensaios e a regressar aos exames presenciais. Os plágios já eram uma praga da vida acadêmica. A inteligência artificial é outra coisa: um crime que não deixa qualquer rastro.”
Assinale a opção em que a reescritura do trecho está de acordo com a norma-padrão e mantém as relações semântico-discursivas originais.
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Texto II
RETRATO DO ARTISTA QUANDO MÁQUINA
Tempos atrás, um colega enviou-me um e-mail com um pedido. Ele tinha escrito um ensaio sobre um tema que me é familiar. Estaria eu disposto a ler e a dar uma opinião? Aceitei. Li. Ensaio rigoroso, sem grandes floreados estilísticos e muito bem estruturado. Gostei. Ele agradeceu a ajuda e depois informou-me, entre risos, que o ensaio tinha sido escrito por um software de inteligência artificial.
Desconfiei. Uma máquina não podia escrever assim. O texto soava demasiado humano. Ele enviou o mesmo ensaio, mas com algumas variações. Em rima, em diálogo, como piada, como tragédia clássica, em estilo satírico, em estilo barroco etc. E convidou-me a experimentar. Entrei no site, fiz a experiência - escrevi: “Usando alguma ironia, me dê uma boa razão para tolerar idiotas”. Depois contemplei uma parte do meu mundo a desaparecer. Veja só o primeiro parágrafo:
Como professor, vou ser obrigado a dizer adeus aos ensaios e a regressar aos exames presenciais. Os plágios já eram uma praga da vida acadêmica. A inteligência artificial é outra coisa: um crime que não deixa qualquer rastro. É possível produzir incontáveis textos sobre o mesmo assunto e nenhum deles ser igual aos restantes.
Não mais.
Sim, talvez eu esteja exagerando. Somos filhos dos românticos. Aquilo que nos interessa em qualquer feito humano não é apenas o resultado; é o processo que conduz ao resultado. Entre dois poemas igualmente belos, um escrito por uma máquina e o outro por um ser humano, preferimos o poema escrito por um poeta de verdade. Há na imitação, mesmo na mais perfeita, uma mancha inapagável que desvaloriza o produto final, Se assim não fosse, um quadro de Van Gogh e uma cópia primorosa do mesmo quadro teriam o mesmo valor - monetário e artístico. Claro: para o comum dos mortais, uma exposição só com quadros forjados de Van Gogh chegava e sobrava. Mas bastaria informar o público de que os quadros eram falsificações para que o entusiasmo se evaporasse.
Dito de outra forma: buscamos experiências autênticas, e não apenas experiências. Isso significa que a sobrevivência das artes e das letras exige autenticidade humana. Mas como aferir essa autenticidade na era da inteligência artificial? Acredito, ou quero muito acreditar, que haverá formas igualmente virtuais de detectar o que é produto da máquina e não do homem. Se isso não for possível, imagino um futuro próximo em que o escritor só será lido se for também um performer da sua obra: sentado no palco, escrevendo o seu romance ou o seu poema, e os leitores na plateia, como testemunhas, acompanhando as palavras na tela gigante. O livro será o resultado dessas sessões teatrais.
Analise morfologicamente os trechos abaixo e assinale a opção correta dos termos sublinhados, sob o ponto de vista dos gramáticos Celso Cunha e Lindley Cintra.
I- "Será possível produzir livros, quadros ou músicas sem nenhuma intervenção humana. Melhor, ou pior:[...]"
II- “Mas programas como o ChatGPT - eis o nome do monstro” [...]
III- “Uma boa razão para tolerar idiotas é que eles podem proporcionar entretenimento e diversão infindos com suas ações insensatas e crenças equivocadas, desde que estejamos a uma distância segura.”
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